“Percussão é saber tirar sons do inusitado”, diz Orlando Bolão – GQ

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Orlando Bolão (Foto: Thiago Dórea / Divulgação)

O percussionista Orlando Bolão arma show no próximo dia 12 de setembro no Jazz nos Fundos, em São Paulo, para apresentar seu disco mais recente, Happiness, que traz participações dos bateristas Cuca Teixeira e Thiago Big Rabello, os pianistas Tuca Camargo e Hanser Ferrer, o guitarrista Webster Santos e o baixista Marcelo Mariano.
O músico  conversou com a GQ Brasil sobre seu novo trabalho:

GQ Brasil: Você fala sobre a ancestralidade dos tambores como herança percussiva. Por mais que a música seja de acesso universal, acredita que exista uma identidade musical brasileira?
Orlando Bolão: Existe e é fortíssima. E ela tem suas raízes exatamente em uma fase bizarra da nossa história, que é a escravidão. Os escravos traficados para o Brasil vieram de todo o oeste africano, conhecido como Congo-Zaire. Países como Costa do Marfim, Angola, República do Congo foram os maiores fornecedores da música que aqui chegou. Mas eles eram separados, então a miscigenação se deu pelo encontro não só de povos, mais de ritmos diferentes, que nunca haviam tocado juntos e aqui deram origem a segmentos importantes e mudaram a história da música. É o caso do Samba, que descende do Semba de Angola, Samba de Caboclo e do Cabilê. O primeiro ritmo genuinamente afro-brasileiro que se tem registro é o Maracatu, datado de 1711.

GQ Brasil: Por que resolveu utilizar os sons produzidos por objetos cotidianos? E como pensou neles em busca da textura musical perfeita?
Orlando Bolão: Acredito muito em tocar para a música e não para o instrumento. O percussionista, na minha visão, é um texturizador. Ele asfalta a música para que o groove corra liso. A ideia de utilizar objetos do cotidiano surgiu de necessidades musicais. Queria ouvir determinado som e não encontrava o instrumento adequado. Foi quando resolvi radicalizar usando alguns objetos inusitados. Alguns eu construí, buscando o timbre. Mas sempre foi em busca de uma sonoridade que a música pedia e eu acabei achando nesses subterfúgios, digamos, mais exóticos. Mas percussão é isso, saber tirar sons do inusitado.

GQ Brasil: Como está sua parceria com Eumir Deodato?
Orlando Bolão: De vento em popa. O Eumir Deodato é uma lenda viva, ter a honra de poder tocar suas músicas e subir ao palco ao seu lado me consagra como músico.

GQ Brasil: Quem são os maiores instrumentistas do Brasil?
Orlando Bolão: Músicos brilhantes despontam a todo instante, independentemente da idade. O brilhantismo musical desperta quando você se liberta dá necessidade de atender a expectativas, as vezes muito mais suas do que do ouvinte. Mas os músicos que irão dividir o palco comigo no lançamento do meu CD são gênios. Cuca Texeira, Augusto Albuquerque, Webster Santos, Agenor Lorenzi, Rubinho Antunes, Tércio Guimarães e Paulo Malheiros são, na minha opinião, artistas que tocariam com qualquer artista do mundo inteiro, de Madona a Carlinhos Brown.

Orlando Bolão no JazzNosFundos
Rua Cardeal Arcoverde, 742, Pinheiros, São Paulo
Abertura da casa: 20h
Informações: jazznosfundos.net

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Fonte oficial: GQ

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