Planos para uma nova cidade na Arábia Saudita parecem saídos da ficção-científica – GQ

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Paisagem de Riyadh, capital da Arábia Saudita (Foto: Getty Images)

O Wall Street Journal teve acesso a supostos documentos que detalham a proposta para um novo super projeto urbano na Arábia Saudita. Neom, a cidade do futuro construída no deserto, tem elementos no mínimo pouco ortodoxos: haverá mais robôs do que humanos vivendo no local, habitantes mecânicos que vão fazer a vez de entretenimento, serviçais e até mesmo dinossauros. A proposta inclui um parque jurássico tech, além de uma praia que brilha no escuro e até mesmo uma lua artificial, simulada através de um ‘enxame’ de drones. 

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Professores dariam aulas através de dispositivos holográficos e um conjunto de câmeras, sensores e sistemas de reconhecimento facial seriam postos em prática – apenas para a segurança de seus habitantes, é claro. “Eu não quero quaisquer estradas ou asfalto. Teremos carros viadores em 2030!”, disse o príncipe Fahd bin Sultan, governador local, em reunião de planejamento. Resultado: Neom será atendida por táxis voadores, e dirigir mesmo será uma tarefa unicamente prazerosa – pense em dirigir uma Ferrari por um deserto irrigado por chuvas programadas artificialmente.

Além de planejar criar a cidade de maior IDH do planeta, os autores da proposta querem também a maior quantidade de restaurantes Michelin per capita.

O projeto, que conta com injeção de 500 bilhões de dólares do governo, é central para o príncipe herdeiro Mohammed bin Salman, cuja principal bandeira é modernizar e diversificar a economia saudita até 2030. Um centro comercial como Neom pode ser uma baita resposta – e, vale dizer, por estranho que tudo acima possa soar, as construções já começaram na costa do Mar Vermelho, próximo da fronteira do Egito.

É claro que entre os primeiros tijolos assentados e uma cidade que propõe ser do tamanho de Manhattan, há muito espaço para problemas – e muita coisa que nem os cofres de um país que ocupa o segundo lugar na produção mundial de petróleo podem resolver. Leia-se: negócios e capital internacional podem encontrar dificuldades no país devido à corrupção, um sistema legal labiríntico, normas sociais estritas e o clima desértico dificultoso. Sem ajuda externa, o projeto pode cair por terra. Algo que já aconteceu na história recente do país: a Cidade Ecônomica Rei Abdullah, o único de seis mega-projetos anunciados pelo governo saudita em 2005 a ser realmente erguido, hoje enfrenta problemas para atrair capital – e inclusive habitantes. 

Excessos à parte, uma ideia como a que move Neom, primeiro anunciada em 2017, não é assim tão nova. Mudar a trajetória econômica de um país através de pólos econômicos é algo parecido com o que a China desenhou com seu plano de Zonas Econômicas Especiais entre os anos 70 e 90 e que, ok, acabou criando cidades particularmente cyberpunks, como Shenzhen.

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Fonte oficial: GQ

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