Por que a moda pode ser um ato social – GQ

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O segmento de moda está em um triste pódium: o do trabalho escravo no Brasil. Segundo dados do Ministério Público do Trabalho (MPT), ocupa o segundo lugar nessa barbárie, perdendo para a Agropecuária.  Com o objetivo de discutir a questão e encontrar soluções, o MPT inaugurou hoje, em São Paulo, o evento #NaoSomosEscravosDaModa, que segue até terça-feira (23.10) com Talks, exposição e instalações de arte pensadas para dar o start nesse movimento de conscientização.

“É preciso falar sobre o assunto para que possamos tomar atitudes também no dia a dia”, acredita  Dr. Gustavo Tenório Accioly, procurador do MPT e idealizador do projeto. Junto com Preta Gil, a modelo Fernanda Motta, o jornalista Leonardo Sakamoto, a editora de moda Lilian Pacce e membros do MPT, a  apresentadora Astrid Fontenelle mediou a primeira troca do evento. O tema era “Onde está o trabalho Escravo na Moda?”.  E a resposta é “em todo lugar, nos centros urbanos, no interior do país”, diz  Dr. Gustavo Accioly.

Isso quer dizer que estamos perdidos? Quase isso. Como dito, os esforços para erradicar a situação existem e por meio de iniciativas como essa  estão sendo ventilados para que, em breve, a ideia de que a moda é também um ato politico e sim, acredite, social, seja tão corriqueira quanto o ato de se vestir.
 

Nao somos escravos (Foto: Manuela Scarpa)

Além do evento #NaoSomosEscravosDaModa (de uma vigilância constante e ações diversas junto ao poder público e judiciário), o MPT desenvolveu um aplicativo para os interessados em fazer denúncias. “Chama-se MPT Pardal, localiza na hora o lugar da queixa e averigua a situação”, conta Dr. Ronaldo Fleury, Procurador Geral do Trabalho.  O app existe há quarto anos, mas é pouco divulgado. “Por isso estamos aqui porque é preciso falar sobre o assunto com o consumidor, com todos, unir forças”.

Sim você faz parte deste enredo. Dói pensar que quem consome faz parte dessa tremenda injustiça. “Não é confortável lembrar disso, mas se fecharmos os olhos, se não agirmos, estamos compactuando, concorda?”, indagou Preta Gil, após sua participação no Talk.  Lilian Pacce questionou se um “portal da transparência” não seria efetivo” para destacar empresas éticas e, assim, inspirar, incentivar consumidores e o mercado a seguir o exemplo”. Quem são essas marcas? São as que não estão relacionadas em aplicativos como o MODA LIVRE, que monitora o mercado e lista empresas envolvidas em escândalos relacionados a direitos humanos. Astrid Fontenelle, fashionista assumida, é seguidora do canal. “Posso amar o produto, desejar, mas não consumo se não está de acordo com princípios éticos e humanos”.
Fica claro que a moda tem uma nova e boa tendência, que veste bem a qualquer um : valores que nada tem a ver com cifras. Quer saber mais sobre o assunto? Acompanhe nossas postagens. 

Fonte oficial: GQ

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