Por que você deve conhecer Pete Buttigieg, o cara que quer ser o 1º presidente gay dos EUA – GQ

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“Seu problema não é comigo, senhor, mas com meu criador”. A fala é do democrata Pete Buttigieg, prefeito de South Bend, Indiana, em discurso durante um brunch do fundo LGBT’s Victory Fund em Washington este domingo (7). O alvo de Pete é o vice-presidente Mike Pence, que defende posições reacionárias sobre temas como direitos para transgêneros e o casamento homoafetivo – em janeiro, Pence foi criticado por dar suporte a uma escola que bane estudantes e funcionários LGBT, onde sua esposa leciona.

No decorrer do discurso, o prefeito, abertamente gay, concluiu: “Meu casamento com Chasten [Glezman] me fez um homem melhor”, disse Pete. “E sim, sr. vice-presidente, me colocou mais próximo de Deus”.

Por que essas falas são importantes? Pete Buttigieg é um possível candidato à presidência pelos democratas, o segundo prefeito americano a tentar a corrida. Aos 37 anos, ele seria o presidente mais novo na Casa Branca. 

E mais: Pete também pode ser também o primeiro candidato assumidamente gay à presidência americana.

Quem é Pete Buttigieg?

Não é a primeira vez – nem sequer nessa semana – que o aspirante a pré-candidato tornou pública críticas a respeito de atitudes conservadoras do governo Trump. No mesmo dia, em entrevista para a NBC, Buttigieg, membro da igreja anglicana oficial, taxou de “hipocrisia” a tentativa de contextualizar a política anti-imigração do presidente na crença evangélica. “(Trump) age de uma maneira que não é consistente com nada que leio nas escrituras”, disse.

Em outras palavras: o cara está em modo ataque. Uma estratégia que funcionou, por exemplo, com a congressista Alessandria Ocasio-Cortez, cujo plano agressivo de taxação sobre grandes fortunas (aumento proposto de 70% para quem recebe mais de US$ 10 milhões ao ano) foi capaz de ditar o discurso democrata no congresso em suas primeiras semanas no cargo, mesmo que ainda não tenha de fato tramitado pela casa. Em janeiro do ano passado, seu perfil no Twitter gerou mais interações que o de seus colegas de partido e mesmo alguns dos principais jornais e agências de notícias.   

Assim como Ocasio-Cortez, Buttigieg planeja unir gênio forte, uma agenda que aborda temas chaves para o eleitorado – como legislação sobre armas de fogo e mudança climática – com um histórico robusto. Filho de pai imigrante e formado em Harvard, Pete serviu em 2014 no Afeganistão, foi consultante da agência McKinsey e começou sua vida pública como prefeito de South Bend aos 29 anos – se tronando o mais jovem prefeito a governar uma cidade de mais de 100 mil habitantes nos EUA. Não à toa, a primeira coisa que se lê em sua bio é “Pete Buttigieg é um prefeito millennial”.

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Mas, novamente, ele também é parte da comunidade LGBT, um rótulo que ainda pode ser importante – e particularmente desafiador – nos EUA: uma pesquisa conduzida pela NBC em março (via The Atlantic) sugere que 30% dos americanos não se sente confortável ou teria reservas em dar seu voto para candidatos gays ou lésbicas. É uma questão mesmo dentro de seu partido: pesquisa da Pew Research Center em 2017 aponta que apenas 51% dos adultos negros nos EUA que se identificam como democratas dão apoio ao casamento LGBT.

A jornada para a presidência será um desafio para um jovem candidato, seja como ele for. Ainda mais quando o campo democrata, com Joe Biden e Bernie Sanders na corrida das primárias, tende a adotar um discurso mais radical, capitalizando sobre um maior número de eleitores jovens americanos que se definem ‘socialistas’. Mas vale ficar de olho: essas estratégias, mais diretas e focadas em bandeiras dificultosas, podem ditar como o campo progressista planeja ganhar campo. E talvez não só nos EUA.

Fonte oficial: GQ

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