Por que você talvez demore para comprar um carro elétrico – GQ

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Depois de décadas de vai-não-vai, os carros elétricos finalmente parecem estar tendo o seu momento. Além da linha crescente da Tesla – que deve lançar um SUV elétrico de menos de US$ 40 mil nesta semana – a Hyundai, a Kia e a Audi se comprometeram a lançar novos veículos elétricos este ano.

No recente Salão do Automóvel de Genebra, que acontece até o próximo domingo (17), os anúncios continuam chegando. A Honda exibiu um modelo urbano de duas portas chamado Honda E, que chega à Europa este ano. A Fiat exibiu um conceito de carro com painéis substituíveis que você pode trocar e desligar tão facilmente quanto trocar de roupa. A Volkswagen estreou o ID Buggy – um buggy conceitual sem teto que pode ir de 0 a 100 km/h em sete segundos.

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Existem mais modelos de carros elétricos disponíveis no mercado (inclusive no Brasil) de mais fabricantes do que nunca – e o design dos carros é o mais radical em décadas. Enfim o salto para a eletrificação parece inevitável, certo? Bem, quase lá. Os elétricos ainda enfrentam uma série de desafios, desde o design até a percepção e a produção. Vejamos alguns deles.

O que tem dado certo

Os elétricos estão melhorando, em todos os sentidos. Design, performance e preço estão cada vez mais atraentes. Veja o Hyundai Kona, por exemplo, um pequeno SUV que se misturaria com qualquer outro na rua, custa a partir de US$ 36.450 e 415 km de autonomia.

O Hyundai Kona, um exemplo de carro elétrico pronto para nossos tempos (Foto: Divulgação)

Vivemos na era dos crossovers (carros meio passeio, meio SUV) e, se você quer vender um veículo elétrico hoje, ele deve ser um crossover. As montadoras parecem ter começado a entender isso.

O Model X da Tesla é o veículo mais caro do tipo, com um preço sugerido de US$ 80.000. A obsessão de Elon Musk com um Model 3 de US $ 35.000 faz, então, muito sentido. Ainda mais quando você considera o que ele pretende fazer em seguida, o Model Y, que deve ser anunciado em breve. Trata-se de um Model 3 transformado em um crossover, que Musk disse que será cerca de 10% maior e 10% mais caro que um modelo 3.

Ou seja, estamos apenas a alguns milhares de dólares de chegar em um crossover elétrico de US$ 35 mil.

Alguns problemas

Então, se os elétricos forem baratos e grandes o suficiente, as pessoas os comprarão? Mais ou menos. A preocupação de que seu carro vai ficar sem eletricidade na estrada (chamada “range anxiety” pelo mercado) continua a ser a maior questão na hora de comprar um elétrico.

Há, claro, uma preocupação exagerada aí. Nós gastamos muito tempo no carro todos os dias – e isso piora a cada ano – então naturalmente presumimos que dirigimos muitos quilômetros. Mas, em média, ficamos bem abaixo de chegar na autonomia dos carros.

Estação de carga de carros elétricos na Alemanha (Foto: Getty Images)

Outro problema: as pessoas precisam descobrir como vão carregar seus veículos, especialmente se não tiverem garagem, já que 80% das cargas acontecem em casa. Além disso, frio e calor influenciam na autonomia da bateria – o que pode ser uma questão dependendo do lugar que você mora.

O que o mercado pensa? Que as pessoas se ajustam para possuir veículos elétricos. E rapidamente.

Oferta ou demanda?

Há uma ideia importante na economia disruptiva: demanda nem sempre pode impulsionar a oferta, porque as pessoas não podem comprar o que não existe. Às vezes, o fornecimento impulsiona a demanda. Ninguém queria ter um iPhone antes que a Apple o inventasse. O mesmo vale para carros elétricos.

As fabricantes começaram de fato a se mexer. A Ford juntou-se à VolksWagen para compartilhar peças e tecnologias e Renault-Nissan-Mitsubishi têm uma aliança elétrica própria. Mas chegar ao ponto em que os lucros vindo dos elétricos estarão em pé de igualdade dos de carros a gasolina poderia levar vários anos, e isso influencia negativamente a produção em massa a curto prazo.

Fonte oficial: GQ

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