Por que você tem que saber quem é Marie Kondo – e não só pelo bem de seu armário – GQ

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Se nestas semanas você passou pelo menos alguns minutos na boa e velha autoestrada da informação (ou internet, para os íntimos), certamente deve ter ouvido o nome da japonesa Marie Kondo. Sensação quando o assunto é organização do lar, a especialista já é conhecida há algum tempo, tendo lançado seu primeiro best-seller, A Mágica da Arrumação, lá em 2011 (o livro chegou ao Brasil pela editora Sextante em 2015). Mas ela definitivamente chegou ao patamar de hit este ano com o seriado Ordem na Casa com Marie Kondo, do Netflix. Em cada episódio, Marie e sua assistente visitam a casa de alguém, ajoelham e agradecem coisas em uma demonstração aparentemente gratuita de cordialidade oriental e dão cabo da bagunça em cenas ora irreverentes, ora meio plásticas, mas todas viciantes. É divertido.

O metódo KonMari (uma brincadeira com o nome da especialista) é o foco do show, e na prática é quase um contraponto ao ‘choque de gestão’ na arrumação doméstica. É uma abordagem bem gentil do problema. Segundo o KonMari, a arrumação tem que ser uma atividade prazerosa, um momento tanto para colocar as coisas em ordem quanto para ser grato – pelo que se tem e também pelo que vai embora.

Marie Kondo (Foto: Reprodução/Instagram)

Tudo isso tem seu método próprio: é preciso dividir suas coisas em categorias e daí se organizar, primeiro pelas roupas, depois pelos livros, papéis e o que a especialista chamada de ‘Komono’, que são os objetos variados. Pegue cada item na mão, sinta no coração se quer mantê-lo e caso se desfaça dele, agradeça-o. A relação emotiva com as coisas tem um efeito importante: ao chegar na quinta e última categoria, a dos objetos sentimentais, você já está mais ‘afinado’ ao que acredita querer manter em casa, e o trampo pode seguir sem muito drama.

O KonMari vai um pouco além dessa premissa básica, ditando coisas como o uso de caixas para organizar meticulosamente tudo em gavetas, técnicas organizacionais para poder contar o que se tem no lar em um relance, e a técnica abaixo para dobrar roupas.

Em outras palavras, dá para se perder fácil no universo asseado de Marie Kondo. Por isso separamos três razões práticas para conhecê-la:

Pode ser um motivador extra para aquela ação solidária que você estava planejando há tempos

O método Marie Kondo talvez seja uma modinha? Vai saber. Mas lá no fundo, o real valor da parada é que ela é simples. E essa descomplicação pode ser o que você precisa para ajudar outras pessoas com aquilo que você já não precisa. Decida qual instituição planeja auxiliar e organize sua arrumação de acordo. Sites como o do Exército da Salvação e da Liga Solidária oferecem serviços de retirada e acompanhamento e é fácil saber do que eles mais precisam. Mas eles são só o começo, claro. Por outro lado, a boa ação pode ajudar a se desfazer sem peso na consciência caso esteja em uma etapa complicada da arrumação.

Pode dar um propósito definido para seu armário

Pegue lápis e papel de suas gavetas bem organizadas e tome nota do que você quer quando se veste toda manhã. Está querendo dar uma enxugada na coleção de sneakers e ganhar uma grana? Se vestir melhor? Ou está em busca de uma promoção no trabalho? Escrever qual seu objetivo com seu armário pode te fazer um cara mais bem arrumado e tornar sua vida mais prática. Deixar tudo organizado em cores, por sua vez, te ajuda a definir o que usar, e a técnica de dobrar e guardar do vídeo acima? Te deixa craque em saber quantas camisas, cuecas, calças e meias você tem.

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Sua vida digital? É, ela também pode aproveitar do KonMari

Basta pensar no digital partindo do mundo físico. Seu computador ou celular é a casa. E-mails são como pilhas de papel na sua mesa. E nas palavras da própria Marie Kondo em A Mágica da Arrumação, “Meu princípio básico para organizar papéis é jogá-los todos fora”. No livro, Marie argumenta que não há jeito de organizá-los que “te inspire alegria”, mas no caso do correio virtual, todos os serviços permitem organizá-los em caixas através de tags coloridas. Tudo o que não se encaixar e não for mais útil, delete sem dó, a caixa toda se precisar.

Da mesma forma que Marie Kondo evita dividir objetos pelo mais óbvio – o lugar que eles habitam na casa – é válido se desfazer da natureza cronológica da caixa de e-mail. Organize-os por urgência de resposta, remetente ou assunto, dependendo de como você usa seu e-mail, pessoal ou para trabalho.

Diga ‘muito obrigado por ter existido’ para grupos do Facebook que você não acessa (há duas funções na rede que tornam o ato simples) e também para assinaturas em apps que você não abre mais. Ao modo KonMari, veja-os no formato lista (na tela de apps do celular ou grupos do Face) e veja quais deles ainda te traz alegria. Essa limpa pode ser especialmente útil em tempos pós Cambridge Analytica, diga-se de passagem.

Fonte oficial: GQ

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