Prevenção de suicídio: 10 sinais alarmantes que seu filho pode dar – GQ

12

Casos recentes de suicídio, como o do modelo Zombie Boy e do chef Anthony Bourdain, são tristes, chocantes e fazem a gente pensar: “O que leva essas pessoas a tirarem a própria vida?”. O mais alarmante é que essa questão tem asssombrado cada vez mais pais ao redor do mundo. Segundo a OMS – Organização Mundial da Saúde -, o suicídio foi a principal causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos em 2014. Só no Brasil, foram 48 mil tentativas de suicídio entre 2011 e 2016.

Esses números deram start à criação do Centro de Educação e Prevenção e Posvenção do Suicídio (CEPS), da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto (EERP) da USP, que desde 2017 atua no desenvolvimento de competências para a prevenção do comportamento suicida.

“Os elevados números de suicídio na adolescência apontados pelos estudos podem ser explicados tanto pela dificuldade de muitos jovens de enfrentar as exigências sociais e psicológicas impostas pela sociedade atual, quanto pela falta de tempo e de diálogo destes jovens com amigos e familiares”, explica a Dra. Flávia Thomé Moreira Lomonaco, pediatra e médica de adolescentes do Hospital São Luiz (Unidade Morumbi – SP).

De acordo com a especialista, entre os fatores que podem ser apontados como causas para as pessoas tirarem a própria vida estão dependência química, traços de personalidade hostis, impulsivos e depressivos, bem como a perda de um relacionamento importante ou a falta de apoio familiar e social.

+Ryan Lochte considerou suicídio depois das Olimpíadas do Rio
+Os dilemas paternos mais comuns nas sessões de terapia – parte 2
+Nove homens GQ discutem os padrões da paternidade contemporânea, sem fórmula e sem medo de errar

Família com histórico de suicídio, doenças crônicas e sexualmente transmissíveis também são fatores significativos para o comportamento autodestrutivo. Aspectos bioquímicos também podem estar associados ao desejo de tirar a própria vida devido ao baixo nível de serotonina (neurotransmissor que atua no cérebro que, quando em baixa quantidade, pode levar à depressão).

Além desses fatores, quando um ou mais dos sinais listados a seguir estiverem presentes no dia a dia dos filhos, os pais precisam procurar um especialista, que pode ser um psiquiatra ou psicólogo que tenha experiência com tratamento de adolescentes, como alertam Carolina Hanna, psiquiatra do Núcleo de Álcool e Drogas do Hospital Sírio-Libanês, e a psicóloga Dra. Cristiana Renner, também do hospital. São eles:

– Ideação: falar ou ameaçar se ferir ou matar a si mesmo; procurar maneiras de matar; escrever sobre morte ou suicídio

Uso nocivo de álcool e outras drogas

– Sensação de falta de sentido para a vida, sentimentos de inutilidade

Ansiedade (preocupações, medos, inquietação) ou alterações no padrão de sono

– Sensação de não ter saída (falta de esperança) para uma situação ruim

Isolamento dos amigos, familiares e demais relacionamentos

– Sensação de raiva

– Demonstrações de imprudência, impulsividade

Mudanças de humor

Alguns estudos mostram benefícios com a realização de pelo menos quatro sessões de orientação familiar direcionada à prevenção do suicídio. Procurar ajuda é importante, pois, segundo as especialistas, muitas vezes os pais podem se sentir culpados por algum dos comportamentos acima, e isso atrapalha a evolução de alguns jovem, que podem acabar usando do seu risco em se ferir para conseguirem a facilitação dos pais para fazer o que desejam. “Já vimos casos de adolescentes que ameaçaram tentar se matar se os pais não os deixassem usar álcool ou maconha. São situações muito difíceis, em que os adultos precisam ser orientados sobre qual é o quadro psiquiátrico real de seu filho”, completam.

“Alem disso, é essencial que os pais procurem ajuda para si mesmos se necessário, isto é, caso sofram de sintomas mentais importantes como tristeza, preocupações exageradas, nervosismo, além do uso abusivo de álcool ou outra droga”, orienta a Dra. Hanna. “O exemplo ainda é uma grande forma de prevenção de comportamentos de risco e, neste caso, o ato de se cuidar e procurar ajuda pode ser muito importante”, acrescenta.

Fonte oficial: GQ

​Os textos, informações e opiniões publicados neste espaço são de total responsabilidade do(a) autor(a). Logo, não correspondem, necessariamente, ao ponto de vista do Sixth Sense.

Comentários