Pride: Bandeira do arco-íris é erguida nas passarelas da Semana de Moda de Paris – GQ

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À esta altura você já deve ter visto circulando pelas redes diversas imagens da espetacular passarela multicolorida do desfile de estreia de Virgil Abloh na Louis Vuitton. O arco-íris, emblema da causa gay e estandarte da pluralidade de gêneros, raças e ideologias, foi responsável por impulsionar o enorme significado da apresentação. O que talvez você não tenha notado é que a sequência de cores vivas pontuou outras diversas apresentações em Paris, no mesmo dia, e já desponta como marco da temporada de moda local, além de ter surgido em desfiles como o da MSGM na Semana de Moda de Milão. A curiosidade encaixa bem com o clima da estação, com a cartela sempre mais otimista das coleções de verão e com a explosão do fluo como tendência. Mas fica difícil acreditar em uma simples coincidência.

Arco-irís (Foto:  )

Rick Owens, por exemplo, não tinha cores vivas em suas roupas, basicamente tingidas de tons neutros e sóbrios como preto, branco e cinza. O americano, no entanto, armou impressionante set design do lado de fora do Palais de Tokyo em que totens estrategicamente posicionados ao longo da tortuosa passarela soltavam fumaça colorida, justamente nos tons da bandeira. Os modelos andróginos caminhavam, sempre no clima apocalíptico que Owens tanto gosta, em meio a nuvens de azul, amarelo, verde, roxo ou laranja. Virgil, na Vuitton, não só pintou o chão da passarela de 100 metros de extensão, como distribuiu camisetas de cores diversas na primeira fila e entre os estudantes convidados a ver o desfile. Conforme mudava a cor do piso, mudava também a cor da camiseta, de acordo com o setor em que estavam posicionados convidados e platéia.

Arco-irís (Foto:  )

Na Loewe, desenhada por J.W. Anderson, mais arco-íris. Desta vez em cintos tricotados e alças de bolsas e mochilas. A ambientação da apresentação – não era um desfile, mas sim uma instalação – não ficou atrás: uma infinidade de pompons coloridos cobria o chão da sala onde era divulgada a coleção de perfume mediterrâneo. No ponto de ônibus em frente ao prédio onde acontecia a apresentação, as listras coloridas enfeitavam os vidros. Iniciativa da prefeitura porque, no próximo final de semana, acontece em Paris a Gay Pride, a parada LGBT local. Por fim, Dries Van Noten, que já havia distribuído convites em forma de quadrados de acrílico de cores diferentes para cada convidado de seu desfile (laranja ou amarelo vivo), inspirou-se na obra do designer Verner Panton – o mesmo que já havia feito os pufes infláveis do desfile da Prada em Milão – e usou a cartela das pinturas optical multicoloridas de Panton como estampas, mas também como cartela das roupas. O resultado na passarela foi um verdadeiro degradê de tons vibrantes, um arco-íris ambulante que ficou evidente na passagem final do desfile, quando os modelos entram todos em fila indiana.

Arco-irís (Foto:  )
Arco-irís (Foto:  )
Arco-irís (Foto:  )

Em tempos de Copa do Mundo na Rússia – que está acontecendo simultaneamente à semana de moda -, país conhecido por sua intolerância com homossexuais, e de tanta violência contra minorias, sejam elas de ordem sexual, racial ou social, a mensagem parece clara: ame mais, respeite mais, tem espaço para todo mundo, somos todos iguais. O mundo precisa de mais amor. E que bom que a moda pode servir de transmissor ao resgatar essa sua importante função social. Foi bonito de ver.

Fonte oficial: GQ

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