“Quando comecei, não se falava em diversidade”, diz Almodóvar em Veneza – GQ

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Pedro Almodovar at the 76 Venice International Film Festival 2019. Venice (Italy), August 29th, 2019 (Photo by Marilla Sicilia/Archivio Marilla Sicilia/Mondadori Portfolio via Getty Images) (Foto: Mondadori Portfolio via Getty Im)

Pedro Almodóvar completa 70 anos no próximo dia 25 de setembro. Considerado um dos maiores cineastas contemporâneos, o espanhol tem dois Oscars de melhor filme estrangeiro – por Tudo Sobre Minha Mãe e Fale com Ela – mas nunca ganhou um prêmio nos principais festivais europeus (Cannes, Veneza e Berlim). Este ano, concorreu novamente na Riviera Francesa, com Dor e Glória, que deu a Antonio Banderas (um de seus preferidos) o prêmio de melhor ator. Palma de Ouro para Almodóvar? Não ainda.

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Embora o diretor espanhol esteja sempre associado ao Festival de Cannes, onde foi presidente do júri em 2017 e lançou todos os seus filmes nos últimos 20 anos, sua carreira internacional começou em Veneza. E é na 76ª  edição da mostra de cinema mais antiga do mundo que Almodóvar foi homenageado, recebendo um Leão de Ouro pela carreira. “Foi aqui que exibi Maus Hábitos, em 1983. Era muito difícil participar de um festival internacional”, conta.

Segundo Almodóvar, receber o Leão de Ouro agora tem outro valor. Em 1988, ele concorreu ao prêmio com Mulheres à Beira de um Ataque de Nervos. E lembra bem o que aconteceu. “O júri era presidido pelo (cineasta italiano) Sergio Leone, que adorou o filme. Mas não ganhei. É irônico receber esse prêmio depois de 30 anos, e ver o mesmo longa ser exibido aqui novamente. Chamo isso de justiça poética”.


Pedro Almodovar at the 76 Venice International Film Festival 2019. Venice (Italy), August 29th, 2019 (Photo by Marilla Sicilia/Archivio Marilla Sicilia/Mondadori Portfolio via Getty Images) (Foto: Mondadori Portfolio via Getty Im)

Em seus dias em Veneza, Almodóvar concedeu entrevistas e participou de uma Masterclass. Estava visivelmente feliz e emocionado. Relembrou o início da carreira, nos anos 1980. “A Espanha despertava de uma longa ditadura de 40 anos quando comecei a filmar. Havia o [movimento artístico] La Movida [ou Movida Madrileña], durante os anos de transição pós-Franco. Foi ali que perdemos o medo e pudemos ter liberdade. Então acho que meu cinema é fruto da democracia espanhola”.

Os personagens marginalizados pela sociedade e os temas tabus sempre foram uma marca registrada do cineasta. Ele explica que isso nunca foi intencional. “Meus filmes são a demonstração do que é real. Quando comecei, não se falava em diversidade. Era diferente”.


Pedro Almodovar at the 76 Venice International Film Festival 2019. Venice (Italy), August 29th, 2019 (Photo by Marco Piraccini/Archivio Marco Piraccini/Mondadori Portfolio via Getty Images) (Foto: Mondadori Portfolio via Getty Im)

Sempre usando roupas coloridas, ele admite que a cor move seus filmes. “Nasci em La Mancha, um lugar conservador, muito árido e com pouca cor. E isso é o oposto de como me sentia. A cor em meus filmes é uma reação ao lugar de onde vim. Não me lembro de ter visto algo vermelho na minha infância. Eu via apenas o preto do luto”.

Ao ser questionado sobre como definiria sua carreira, Pedro Almodóvar é sucinto. “Como diretor, coloco nos meus filmes a variedade de pessoas e situações que há na vida”, conclui.

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Fonte oficial: GQ

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