Quem é o chef que aos 26 anos une tradição e modernidade no Casimiro – GQ

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Quem passou pela esquina da alameda Santos com a rua Augusta nos últimos meses deve ter percebido um novo espaço. Na verdade, um prédio inteiro. Pois ali, no quarto e último andar do edifício Santos Augusta, funciona há quase seis meses o Casimiro, restaurante italiano do jovem chef Thiago Tatini que vale a visita.

Aos 26, Thiago é membro da quinta geração de cozinheiros dos Tatini – uma espécie de versão italiana de Cem Anos de Solidão em que vários Fabrizios, Marios e Casimiros diferentes se alternam há mais de 50 anos no comando de restaurantes da família – sendo o mais tradicional deles o Tatini da rua Batataes, nos Jardins. Do trisavô veio o nome do novo espaço, elegante e moderno, projetado pelo arquiteto Isay Weinfeld.

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Em comum, o Casimiro, o Tatini e a Tatini Rosticceria, no Campo Belo, dividem não apenas as relações de parentesco, mas também o secretíssimo livro de receitas da família, mantido há décadas sob guarda da avó de Thiago, Gisela – “Só posso consultar, nunca pegar”, brinca o chef.

É do livro, aliás, que vem o maior desafio do Casimiro, conciliar tradição e novidade.  “Quando as pessoas pensam em Tatini, elas sempre vão pensar no fogareiro, nos pratos clássicos”, conta o chef. “Mas para não ser nem tão comparado ao Tatini, nem inventar demais, peguei o livro do meu avô e fui vendo onde dava para mudar, deixar a apresentação dos pratos mais moderna, até para combinar com o espaço”, explica.

O moderno Casimiro, nova empreitada da família Tatini, no Santos Augusta (Foto: Divulgação)

Sangue de cozinheiro

Antes de entrar para o ramo da família, Thiago chegou a estudar três anos de direito. “Minha família me apoiou totalmente para fazer outra coisa, não queriam que eu entrasse para esse ramo, que é muito duro, exige muitas horas de dedicação”, lembra. “Mas eu era muito infeliz. Sempre gostei de cozinhar. Eu só assistia à Palmirinha quando era moleque, sabe? Queria mesmo era fazer isso”, completa.

Aos 22 anos, começou a estudar gastronomia e trabalhar na rotisseria da tia Andreia, mas sem privilégios. “Chegava às 7h da manhã junto com os cozinheiros para abrir a casa. No primeiro dia me deram um saco de 30 kg de cebola para descascar e picar até às 8h15. O pessoal fez bolão para adivinhar quando eu ia desistir, mas aguentei”, conta rindo.

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O cliente mais difícil

A dedicação foi recompensada e Thiago foi o escolhido para assumir a nova empreitada da família, agora em parceria com a Reud do empresário Fernando Tchalian, o “dono da
Oscar Freire” de vários empreendimentos gastro-culturais na cidade. Para isso, o jovem conta com a ajuda de casa, sobretudo do avô Mário e do tio Fabrizio, que visitam frequentemente o restaurante. Com eles, o chef aprendeu não apenas a comandar a cozinha, mas também a percorrer o salão e passar de mesa em mesa para conversar com os clientes.

Thiago Tatini, o jovem chef do Casimiro, nos Jardins (Foto: Divulgação)

“O cliente mais difícil é a família, porque todo mundo entende muito do assunto”, confessa. “Meu tio Fabrizio é mais calmo, só vem aqui para dizer para eu não mudar muito as receitas. Mas as mulheres são mais bravas. Na primeira noite, minha avó me chamou de canto e falou ‘tem que melhorar isso, isso e aquilo’. Eu estava tremendo igual vara verde, mas foi o máximo”, conta.

Thiago sabe que para chegar no avô, Mario, na arte de “marchar” a cozinha e “soltar” as mesas com maestria ainda falta muito. Mas aproveita o fato do exemplo estar tão próximo e sabe que ainda há muito pela frente. “Meu avô abriu a primeira casa com 30, meu tio com 35 e eu com 26. Comandar uma equipe de pessoas mais velhas e ganhar o respeito delas é difícil, mas ao mesmo tempo é demais, uma experiência única”, reflete.

A melhor forma de conferir como chef vai chegar lá é estando perto do Casimiro (e dos Tatin). E já que o assunto é família, nem de pedir os dois drinks autorais da casa que levam o nome dos avós, Casimiro e Gisela.

Fonte oficial: GQ

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