Quem vai assumir o comando do SBT quando Silvio Santos se aposentar? Eis a questão – Poder – Glamurama

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Silvio, a mulher Íris e as seis filhas que devem assumir o comando dos negócios do grupo SS // Reprodução

Por Chico Felitti para revista PODER

O camarim de Silvio Santos nos estúdios do SBT, na rodovia Anhanguera, tem poucos itens. Uma grelha elétrica na qual ele frita pequenos pedaços de bife antes de gravar seu programa. Uma tábua de passar roupa, para a camareira desamarrotar seus ternos, cujas calças ele só veste segundos antes de entrar no ar. E uma matéria de jornal enquadrada e pendurada.

É uma capa da Ilustrada, o caderno de cultura da Folha de S.Paulo. O título da matéria é “O Canal das Sete Mulheres”. A reportagem, de 2015, conta que uma consultoria internacional havia sido contratada pelo Grupo Silvio Santos para preparar a passagem de poder no SBT e demais empresas da corporação. A ideia era que o comando, ao invés de ir para um executivo de mercado ou alguém independente, fosse de Silvio para as sete mulheres que o cercam (as seis filhas e Iris, sua esposa há 40 anos).

No esquema proposto pela McKinsey & Company, seria criado um conselho, formado por todas as irmãs e outros três integrantes independentes, e os acionistas se envolveriam em todos os processos decisórios.

Mas a reportagem enquadrada na parede do camarim já amarelou, e nada do plano ter saído do papel. O motivo? O conselho, na prática, nunca existiu, e o grupo Silvio Santos continua sendo gerido por… Silvio Santos, um empresário de 87 anos de opiniões impermeáveis a orientações de consultores profissionais.

Profissionais envolvidos no processo, que durou quase um ano e custou mais de R$ 1 milhão, afirmam que o relatório final sugeria o distanciamento da família da gestão do canal de TV e das demais empresas do grupo e uma profissionalização que permitisse ao SBT oferecer ao mercado publicitário sua programação com meses, quem sabe anos de antecedência. Mas as ideias não vingaram lá dentro.

TELEFONE FIXO

No organograma, o comando do Grupo Silvio Santos está na mão do presidente, Guilherme Stoliar, sobrinho de SS. A não ser que as mãos de Silvio peguem o telefone e liguem para a emissora. Nesse caso, tudo muda imediatamente.

PODER entrevistou dezenas de funcionários com relato idêntico: Silvio gerencia as empresas a partir de um telefone fixo. Pelo aparelho, o rei do auditório manda espichar ou comprimir matérias jornalísticas enquanto elas estão no ar, dá sua opinião sobre o figurino, a maquiagem e até a aparência da dentição de apresentadores e atores. E enfia episódios de “Chaves” onde bem der na telha, deixando pouco espaço para planejamento comercial.

Como as empresas do grupo SS têm capital fechado, e muitos balanços não são publicados, é impossível afir-mar exatamente o tamanho do império. A receita líquida do grupo é estimada em R$ 2,5 bilhões ao ano, com

o SBT ainda respondendo por quase metade do valor. Mas a maior joia é a Jequiti, empresa de cosméticos do grupo que tem um plano de negócios traçado para atingir um faturamento bilionário até o ano de 2020. Completam a corporação a Liderança Capitalização, responsável pela venda da Tele Sena, o hotel Jequitimar, no Guarujá, e alguns outros negócios menores.

SUCESSÃO NA TV

O Grupo Silvio Santos declinou dos pedidos de entrevista à PODER. Mas, uma das táticas de Silvio para a sucessão permite ter uma ideia do que está acontecendo na empresa: nos últimos meses, ele colocou todas suas filhas (e a mulher) no palco do seu programa dominical. “Agora eu vou aproveitar vocês da família mesmo, já que vocês têm que vir aqui trabalhar”, disse Silvio, aos risos.

Cinco das seis filhas dele trabalham nas empresas do grupo. Daniela Beyruti, 39, é diretora artística e de programação do SBT. Patricia Abravanel, depois de ter passado pela maioria das empresas da família, é agora apresentadora de programas como “Máquina da Fama”. Rebeca Abravanel, 37, é uma das diretoras da Jequiti. Silvia Abravanel, 48, passou de diretora a apresentadora de um programa infantil nos últimos anos, por sugestão do pai. Cintia Abravanel, 55, a primeira filha, é a única que não está fixa na folha de pagamento do grupo SS, por mais que já toque os espetáculos dramatúrgicos do grupo, como a montagem teatral da novela “Carrossel”.

E ele não estava brincando quando disse que ia incorporar a família ao cast: do meio de 2017 para cá, todas as integrantes do clã Abravanel competiram no “Programa Silvio Santos”. Até as filhas que não têm vocação para o showbusiness entraram em cena. “Eu tô supernervosa”, disse Renata, 32, uma morena sorridente, assim que pisou no palco. Minutos depois, ela já estava desenvolta, fazendo piada e cobrando as ausências do pai no escritório da holding. “Você nunca vai lá nos visitar. É perto da sua sala”, cobrou a filha caçula, grávida do décimo segundo neto do homem do Baú.

Silvia, a “filha número 2”, que trabalha no império desde os 16 anos, brincou recentemente dizendo que seu salário não aumentava havia dez anos. Era verdade. Ela, que tem 46 anos de idade, apresenta o infantil “Bom Dia & Cia” todas as manhãs, mas ainda não chegou ao nível salarial de uma estrela. “Todas [as apresentadoras] ganham mais do que eu. A Patricia, a Eliana, a que apresenta lá o programa de moda [alguém canta para ela], Isabella Fiorentino…”

Minutos depois, Silvia voltava a fazer graça com seu salário. Em um dado momento, Silvio perguntou se Tiago Abravanel (seu neto, filho de Cintia) ganhava na TV Globo como ator mais do que Silvia recebia no SBT. Foi a própria Silvia que respondeu: “Com certeza”.

Quando foi a vez de Cintia Abravanel, o programa começou sem a convidada. Silvio afirmou que a filha havia se atrasado, mas minutos depois ela chegava ao palco. “A produção mandou eu estar aqui às 13 horas. São 13 e dois”, disse a primogênita ao pai, que perguntou com quem ela havia falado. Cintia se acanhou de expor alguém na TV, e seguiu o jogo.

As gafes e lavação de pequenas peças de roupa suja em público são mais do que um bom programa, afirmam pessoas de confiança do empresário. Silvio quer acostumar o público às suas imagens, e fazer uma sucessão televisionada, em vez de realizar uma passagem de bastão nos bastidores, como planejado pela consultoria McKinsey.

DUAS HERDEIRAS

Mas algo novo veio à tona no último mês. Também em pleno ar, o jornalista Leo Dias, que apresenta o “Fofocalizando”, do SBT, e a jornalista Fabiola Reipert, que anda colocando a Record em primeiro lugar na audiência com o quadro “A Hora da Venenosa”, conseguiram colocar Silvio contra a parede com perguntas engraçadas.

Ele não sabe, por exemplo, o que é Whatsapp. “É aquele negócio que coloca no celular e daí pode falar?”, ele perguntou para os entrevistados. Mas já sabe quem deve ficar no seu lugar quando chegar a hora de pendurar as chuteiras. Reipert perguntou quem deveria tocar as empresas quando o apresentador não puder mais. “A Rebeca tem mais o meu jeito. As outras são mais iguais à mãe, são tudo bola murcha. A Rebeca é tão parecida comigo que nunca conseguiu segurar um homem”, ele respondeu.

E o programa da tarde de domingo, que leva seu nome e fez sua fortuna de bilhões, para quem fica? “Ah, a Patrícia. A Patrícia tem condições. Ela é a que mais tem condições de pegar o meu programa e tocar tranquilamente”, respondeu Silvio Santos.

Enquanto a hora não chega, os funcionários esperam o telefone tocar. Do outro lado da linha, eles já sabem que uma voz muito familiar terá uma ordem a dar.

Fonte oficial: Glamurama

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