Recordista, Maya Gabeira aposta no crescimento da categoria feminina de ondas grandes – GQ

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É nas quedas que a água ganha força. A frase pode até soar mezzo hippie, mezzo autoajuda, mas no caso da surfista de ondas gigantes Maya Gabeira ela se aplica com perfeição. Em outubro, Maya entrou para o Guinness Book com a maior onda já surfada por uma mulher: 20.72 metros (68 pés), o equivalente a um prédio de aproximadamente 6 andares. O drop aconteceu em janeiro de 2018, na praia de Nazaré, em Portugal, mas a história desse recorde começou a ser contada muito antes, em 2013. “Em agosto daquele ano, decidi me preparar para surfar Nazaré, uma onda explorada pela primeira vez em dias grandes dois anos antes. Sabia que ali era o lugar para se buscar um recorde”, lembra.

O que torna as ondas de Nazaré tão especiais é o mesmo que faz delas tão perigosas: um vale marinho profundo, que funciona como uma rampa de lançamento. E foi nessa rampa que, em outubro de 2013, Maya sofreu um acidente que quase lhe custou a vida. Naquele dia, um swell poderoso chegou a Nazaré com ondas de 25 metros de altura. Maya e sua equipe, formada pelos também surfistas Carlos Burle, Pedro Scooby e Felipe Cesarano, tentavam quebrar o recorde que hoje ela comemora.

Puxada pelo jet ski, ela desceu uma onda de cerca de 20 metros, mas perdeu o controle e foi atropelada pela avalanche de água salgada. Do momento da queda até o que os colegas conseguiram arrastar Maya desacordada para a areia e reanimá-la com técnicas de primeiros socorros, 9 minutos se passaram. “Naquele momento, a calma e a frieza eram os únicos recursos que poderiam me salvar. Sabia que não podia me entregar antes da hora”, disse ela à GQ dias depois do acidente.

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Seria absolutamente compreensível que, depois disso, Maya decidisse trocar as ondas gigantes por marolas de dias de verão no Rio de Janeiro, sua cidade. “Depois do acidente, não quis mais me prender ao objetivo do recorde. Estava fazendo o possível para melhorar, mas não podia exigir uma coisa que talvez não fosse possível, em consequência das minhas condições físicas e das limitações psicológicas”, conta. “Foi um longo processo para voltar a pensar nisso. Eu vivi uma experiência muito forte e tive que superar muitas coisas, traumas, lesões, mas isso fez com que eu mudasse como pessoa.

Foram anos de batalha e só o aprimoramento e conhecimento que pude adquirir nesses anos me trouxeram a confiança para tentar novamente, e conseguir bater esse recorde”, disse a surfista em mais uma entrevista à GQ. O feito de Maya Gabeira foi ainda maior que dropar, com sucesso, uma onda de 20.72 metros. Lá do topo ela gritou, para quem quisesse ouvir, que o surfe feminino merece respeito. “Cada vez mais, provamos que nós temos nosso espaço nesse esporte que ainda é mais masculino. Agora, com o circuito de ondas grandes feminino, e mais um prêmio no Big Wave Awards, a tendência é o crescimento da categoria. O que eu acredito, e espero, é que essa conquista seja mais uma motivação para que outras atletas tenham vontade de superar essa marca  (e realmente superem), para o esporte continuar crescendo.”

Fonte oficial: GQ

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