Revelação no teatro, Gabriella Potye avisa: “Quero continuar acreditando que mudar o mundo é possível” – GQ

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Gabriella Potye se encantou pelo palco aos 8 anos. Agora, aos 23, volta em cartaz com a peça Um Panorama Visto da Ponte, do dramaturgo norte-americano Arthur Miller ao lado de Rodrigo Lombardi, Sérgio Mamberti e grande elenco. A atuação da artista que dá vida a jovem Catherine tem chamada a atenção – dentro e fora de cena. “A Gabi foi uma grata surpresa! Durante a temporada ela cresceu meteoricamente! Não vai demorar para o Brasil descobri-la… mas nó fomos os primeiros!”, comemora Lombardi.

Já Sergio Mamberti profetiza: “Ela deixou de ser uma promessa para se tornar uma atriz pronta para novos desafios. Muita luz na sua trajetória”. Gabriella, em sua segunda montagem profissional, retribui este carinho todo: “Foi num trabalho assim, regado à amor, que começo minha carreira. E eu não me aguento de felicidade!”, escreveu ela em suas redes sociais ao postar foto com Sergio Mamberti. 

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O espetáculo Um Panorama Visto da Ponte tem texto escrito em 1955 e trata, entre outros temas, sobre xenofobia – “A cada notícia sobre imigrantes ilegais a peça ia se tornando mais avassaladora”, relembra Gabriella. Após temporada em São Paulo, eles reestreiam no próximo dia 9 de março no Teatro Brasil Vallourec, em Belo Horizonte. Veja o bate-papo da atriz com a GQ Brasil:

GQ Brasil: Estar no palco com Mamberti e Lombardi assustou você à primeira vista?
Gabriella Potye: Foi uma surpresa, na verdade! Quando o Zé Henrique de Paula [diretor da montagem] me chamou para a leitura, não pensei que ia entrar na sala de ensaio e dar de cara com esses dois! Lembro do frio da barriga que me bateu. Dois ícones do teatro, ali, na mesa comigo! Mas, eles foram, logo de cara, muito afetuosos e me trataram com muito respeito. Esse carinho, esse acolhimento, foram essenciais para o nosso processo. Só assim para se jogar em um texto tão profundo quanto Um Panorama Visto da Ponte. Me sinto honrada de começar minha carreira profissional ao lado desses grandes artistas – aprender com a responsabilidade e paixão que encaram o ofício – e, além de tudo, poder chamá-los de amigos.

GQ Brasil: O teatro sempre fascinou você? 
Gabriella Potye: Estar no palco me faz questionar, me dá propósito enquanto artista. Teatro é a minha escola e é o caminho que me tem aberto portas e me fascinado desde os 8 anos de idade [veja como apresentar o teatro para os seus filhos]. Sei dos desafios e da importância de se fazer teatro no Brasil e, por isso, me dedico tanto. Li uma entrevista da diretora Ariane Mnouchkine [fundadora do Théâtre du Soleil] esses dias e um provérbio que ela citou continua ecoando na minha cabeça: “Procure o pequeno para encontrar o grande”. 

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GQ Brasil: A peça fala sobre xenofobia. Como vê esta questão dos imigrantes, hoje?
Gabriella Potye: Pensar que foi escrita em 1955 e que continua terrivelmente atual é doloroso. A cada notícia sobre imigrantes ilegais a peça ia se tornando mais avassaladora. De alguma forma, somos TODOS imigrantes. Isso é fato. Acho que o que está em questão é uma coisa mais profunda, como disse meu colega de cena, o Bernardo Bibancos, em um dos debates: “É importante nos indagarmos que estruturas são essas que nos colocam em conflito”. E se essa é realmente a verdade absoluta de como devemos viver. Mais do que imigrantes, somos humanos!

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Gabriella Potye (Foto: Murilo Alvesso / Divulgação)

GQ Brasil: Daqui há 10 anos, como quer estar profissionalmente?
Gabriella Potye: Quero ter tido a oportunidade de experimentar a atuação em diferentes meios. E, acima de tudo, me sentiria privilegiada de, simplesmente, continuar fazendo o que amo – e acreditando que mudar o mundo é possível, nem que seja o mundo dentro de alguém.

Fonte oficial: GQ

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