Ricardo Dias enxerga a publicidade do futuro – sem interrupções e feita com propósito – GQ

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Ricardo Dias (Foto: Divulgação)

“Eu não queria ser astronauta”, confessa Ricardo Dias, VP de marketing da Ambev, em conversa com a GQ Brasil na sede da empresa em São Paulo – um espaço de teto exposto, baias abertas de trabalho e um clima que não estaria deslocado se estivesse no seio de uma startup. O publicitário sabia desde jovem que sua jornada estaria mais próxima do solo, longe das fantasias tradicionais de criança. “Eu queria estudar administração, negócios, eu tinha muito claro isso”, diz.

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Hoje há mais de 19 anos na Ambev, Ricardo esteve envolvido em diversos dos episódios mais importantes da empresa. Durante a fusão bilionária envolvendo a belga Interbrew, em 2004, ele esteve relocado na Europa. Pouco depois das alianças com a Labatt em 2005 e com a E. León Jimenes S.A em 2012 abrirem as portas da operação para a América do Norte e Caribe, Ricardo assumiu posições nos departamentos de publicidade tanto nos Estados Unidos (em 2014) quanto no México (2016). Entre estas experiências, estiveram viagens pela China e Canadá. O cara pode não ter ido ao espaço, mas fez uma senhora volta ao mundo.

De volta ao Brasil este ano para tocar o esforço publicitário da empresa no país – incluindo a chegada do selo alemão Beck’s -, Ricardo confessa. “Eu nunca estive tão inquieto quanto estou agora”. “O Brasil me deixou maluco”, prossegue. “A gente tem um grupo que é talvez os melhores publicitários do mundo, só que eu não vejo mais o país brilhando como brilhou lá atrás.”

Um dos idealizadores do CreativeX, primeira premiação do festival Wired no país, Ricardo aposta: “Está na hora da novo geração ocupar este espaço e criar novas marcas, agências, campanhas”. E defende um olhar mais democratizado: “A criatividade ela é muito injusta”.

“Talvez a recepcionista que trabalha aqui e o segurança do prédio poderiam ser os diretores criativos da Skol”, prossegue, “mas elas nunca vão saber. Não existe uma escola, um estágio, um prêmio que dê a estas pessoas a oportunidade de tentar uma carreira criativa. E em um país que talvez seja o mais criativo do mundo”, lamenta.

Aos 41 anos, o publicitário passa a imagem de um perfil jovem, de olho em soluções ágeis e inovadoras. E como exatamente ele vê o marketing do futuro? “É o social, que tem uma causa por trás“, crava. “Eu não tenho dúvida que no futuro, a marca que ganhar vai ser a que conectar com o propósito de uma região, de uma cidade, de um grupo de pessoas”, completa.

Outra de suas apostas? A publicidade que entretem ao invés de ficar no caminho das pessoas. “A propaganda que interrompe vai deixar de existir. Talvez vá demorar cinco anos aqui, dez anos na Indonésia ou dois anos nos Estados Unidos, não importa, interromper uma pessoa já não vai fazer parte do futuro”, diz

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Fonte oficial: GQ

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