Riccardo Tisci leva seu streetwear à tradicional Burberry em desfile dos mais aguardados – Moda – Glamurama

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Kendall Jenner no desfile de primavera/verão 19 da Burberry || Créditos: Reprodução Instagram

Muito se especulou sobre a chegada de Riccardo Tisci ao cargo de diretor criativo da Burberry, substituindo o posto que foi de Christopher Bailey por 17 anos. Mais de seis meses se passaram desde um dos ‘breaking news’ mais quentes do mundo na moda. A tradicional label britânica uniu forças com um dos estilistas mais hypados do momento, e finalmente temos o resultado: a coleção de primavera/verão 2019 da marca, que foi apresentada há pouco no The South London Mail Centre.

A locação deu um tom todo especial ao desfile: com pegada industrial, o espaço foi dividido com paredes móveis espelhadas e tinha como detalhe o teto todo de vidro, que garantia iluminação natural ao show. A pontualidade britânica não funcionou dessa vez, e as modelos pisaram na passarela com 25 minutos atraso. Seria influência da latinidade de Tisci? A trilha sonora dramática foi assinada por Robert del Naja, um dos líderes da banda de trip hop inglesa Massive Attack, uma das favoritas do estilista italiano.

Reafirmando o início de uma nova era, Tisci trouxe seu streetwear para a Burberry, como já era esperado, dividindo o desfile em dois tempos: inicialmente clássico e até tradicional, deixou Anna Wintour visivelmente entediada na primeira fila. Em um segundo momento, o DNA streetwear do italiano veio à tona tornando tudo mais divertido. Entre os destaques, saias plissadas e balonês, estas últimas resgatadas dos anos 1980, franjas, trenchcoats com acabamentos diferenciados, como correntes de metal e pluminhas, e uma paleta neutra de cores em que o icônico bege da marca reinou absoluto. O animal print também deu as caras, talvez para suprir a falta de peles – estratégia muito bem vinda da marca para embarcar na onda verde.

novo monograma, criado a partir das iniciais TB de Thomas Burberry, fundador da Burberry, e revelado em agosto, apareceu de forma sutil, em um detalhe ou outro. Já o tradicional xadrez copiado à exaustão nos últimos anos foi desconstruído e se transformou em listras, que na certa vão dominar as ruas. Uniformes utilitários foram referência principal da coleção masculina.

Cruzaram a passarela mais disputada da temporada as tops Cara Delevingne, Kendall Jenner, Natalia Vodianova e Irina Shayk, em um cast gigante. Na fila A, chamou a atenção a ausência de celebridades.

Durante 24 horas, parte da coleção, de edição limitada, estará disponível exclusivamente no Instagram, WeChat e na Flagship Store da Burberry, na 121 Regent Street, em Londres. As vendas foram liberadas logo após o término do desfile. Esta será a primeira vez que a marca cria uma experiência de venda digital sob medida para as suas redes sociais.

Sobre Riccardo Tisci

Ao longo da carreira ficou famoso por levar às passarelas misticismo urbano desejável. Antes de assumir o posto na Burberry, em março, o italiano vinha de um ano sabático após sair da Givenchy onde atuou por 12 anos. De acordo com números oficiais, seu legado na Givenchy fez com que a label fosse avaliada em US$540 milhões (aproximadamente R$1.6 bilhões), incluindo o crescimento no número de funcionários: 290 em 2005 para 930 contratados em 2016. O número de lojas também aumentaram expressivamente: de apenas sete em 2005 para 72 atualmente. Alguma dúvidas de que ele pode fazer muito pela Burberry?