Rodrigo Santoro quer que você redescubra a história do Papai Noel – GQ

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Rodrigo Santoro e Jesper, seu personagem na animação Klaus (Foto: Pedro Pinho/Netflix)

Rodrigo Santoro ainda acredita em Papai Noel – ou pelo menos no simbolismo da história. Convencido que o ícone natalino e do capitalismo ainda carrega bons ensinamentos no seu saco de presentes, o ator aceitou o convite da Netflix para dublar Jesper, personagem central da animação Klaus, principal estreia do serviço de streaming nesta sexta-feira (15), feriado de Proclamação da República.

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O filme, dirigido pelo espanhol Sergio Pablos, co-criador de Meu Malvado Favorito, traz uma nova versão para a lenda do Papai Noel. Abordando temas como o convívio e o senso de coletividade, a história é praticamente conduzida pela voz de Santoro, presente no corpo de um estudante da academia postal que tem a grande ideia de distribuir brinquedos para crianças que precisam de carinho.

“O Jesper é um personagem muito rico e, tecnicamente, muito desafiador. Ele fala muito – e muito rápido”, contou o ator à GQ. No papo abaixo, Santoro reforça a importância da lenda nos dias de hoje, detalha o seu processo de trabalho, mesmo não se considerando um dublador profissional: “Eu faço esse tipo de trabalho quando me apaixono pelo projeto”, afirma.

  
O filme ainda conta com outras duas vozes conhecidas do público: Fernanda Vasconcellos será reconhecida nas falas da professora Alva, enquanto Daniel Boaventura interpreta Klaus, a nova versão do Papai Noel, interpretada por Daniel Boaventura. Apesar de apaixonado pelo projeto, Santoro admite a dificuldade do desafio: “É óbvio que eu não tenho tanta prática da dublagem, mas tento encarar o desafio com o máximo de profissionalismo”, revela.

Confira abaixo o nosso papo com Santoro na íntegra:

GQ: Rodrigo, eu queria começar a nossa conversa falando sobre o seu personagem na animação, o Jesper. Durante todo o filme, ele se mostra humano, talvez demasadiamente humano, cometendo diversos erros com boa intenção e até protagonizando momentos de pura inveja. Características bem diferentes do Klaus, que, como Papai Noel, mantém aquela aura inatingível dos lendas. Você acha importante que obras infantis também abordem essas fraquezas e imperfeições que são de todo mundo?

Cara, foi bom você ter começado com essa pergunta porque eu não vejo o filme como uma obra infantil (risos). Acho que a grande sacada do Klaus é que ele tem várias camadas de compreensão. Quando a gente fala sobre altruísmo, o verdadeiro significado do Natal, o assunto pega todas as faixas etárias. A história, pegando outro exemplo, mostra uma cidade pequena onde as pessoas não se dão, que não se relacionam. Essa questão do relacionamento só deve ser captada pelos adultos. Como ela não é uma obra infantil, ela tem a obrigação de abordar todos esses aspectos de personalidade dos humanos.

GQ: Nós sabemos que você tem uma agenda bem corrida, tendo que conciliar projetos no Brasil e no exterior. O que te atraiu neste projeto em específico?

Foi o visual, eu acredito. É um filme muito bonito. Quem assistir ao filme vai perceber um trabalho artesenal de imagem, com muito contraste entre as luzes e cores. O visual do filme me transmitiu muita poesia. Acho que esse filme tem uma coisa nostálgica na imagem, algo que me capturou imediatamente. E eu também gosto muito do diretor, Sergio Pablos. Ele consegue ser muito original ao contar uma história que foi contada já muitas vezes: a origem do Papai Noel. Com humor, ele aborda diversas questões sociais que são muito atuais. Acredito que uma criança vai se divertir de uma forma vendo Klaus; os adultos, de outra, provavelmente parando para pensar em muitas coisas.

GQ: Você já tinha dublado o Túlio em Rio 2. Eu queria saber mais sobre o seu processo de criação. Nos dois projetos, você teve a liberdade de improvisar falas ou, no caso de Klaus, de trabalhar na tradução do texto?

Foram dois processos diferentes. No caso do Túlio, eu fui gravando as falas em um estúdio, enquanto uma câmera registrava a minha expressão corporal. A personagem virou animação em cima dos meus movimentos e da minha voz. Com o Jesper, foi uma dublagem propriamente dita: o personagem já estava animado e tinha a voz original de um ator americano (Jason Schwartzman). Então, eu tive, sim, que tomar muito cuidado com a tradução. Às vezes uma piada em inglês não funciona tão bem em português e você precisa fazer algumas alterações. Eu recebi as falas prontas, mas fui adequando todas elas, até que ficassem, como a gente costuma dizer, mais “confortáveis” na minha voz. A gente trabalhou muito para que os diálogos ficassem mais coloquiais.


Rodrigo Santoro (Jesper), Daniel Boaventura (Klaus) e Fernanda Vasconcellos (Alva) (Foto: Pedro Pinho/Netflix)

GQ: O Brasil tem prestígio internacional em dublagem. Até por ser um campo muito relevante, a dublagem tem as suas próprias discussões. Queria saber a sua opinião sobre uma delas: você acredita que a dublagem precisa ser feita por dubladores profissionais ou somente por atores de ofício? A escalação de artistas de outros ramos, como cantores e apresentadores, na dublagem de filmes costuma render polêmica em blockbusters.

Olha, eu acho que há espaço para todo mundo. Claro, o dublador profissional trabalha com isso todo dia e vai fazer esse trabalho muito mais rapidamente. O tempo de um dublador propriamente dito, pela prática e experiência, é muito diferente até do ator que já tem uma experiência na área, como eu. Não é o que eu faço diariamente. Eu faço esse tipo de trabalho quando me apaixono pelo projeto. É óbvio que eu não tenho tanta prática, mas tento encarar o desafio com o máximo de profissionalismo. O dublador tem o know-how para se preocupar com todos os aspectos da história e da própria dicção. Os outros artistas tentam fazer o que o dublador faz, porém trazendo outros tipos de qualidade para a obra. Eu acredito que eles são complementares. Para mim, posso dizer: foi um trabalho extremamente prazeroso.

GQ: Existe algum filme ou série que você prefere ver dublada, por falar nisso?

Olha, cara… Acho que não. Não me lembro de nenhuma.


Jesper em Klaus, da Netflix (Foto: reprodução)

GQ: Eu imagino que você vai mostrar o filme para a Nina, sua filha…

Com toda a certeza. No dia em que o filme for liberado na Netflix.

GQ: Você acredita, portanto, que a lenda do papai Noel é importante e precisa ser contada para as crianças de hoje?

É claro que eu acredito. Independentemente da figura do Papai Noel, se o nome dele era Klaus ou Noel, se tinha barba longa ou não, todo esse simbolismo em torno dessa história é muito valioso. Para mim, o que essa figura representa é o altruísmo, a generosidade. Ainda mais nos dias de hoje, eu acho que a história se torna muito necessária. Por isso volto a dizer: Klaus não é especificamente um filme infantil. Cada vez mais vemos animações inteligentes, com temas adultos – e eu acredito que essa obra é mais um exemplo muito feliz dessa leva.

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Fonte oficial: GQ

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