Ronaldo Lemos, do “Expresso Futuro”, fala sobre a experiência de gravar na China – GQ

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Ronaldo Lemos (Foto: Divulgação)

O advogado e apresentador Ronaldo Lemos está de volta da China, onde gravou integralmente a terceira temporada do programa Expresso Futuro. Em exibição pelo Canal Futura, mas também pelo Fantástico, desde a noite desse domingo (1), o programa visitou várias cidades no país, mostrando as transformações que a tecnologia trouxe no gigante asiático. São imagens nunca vistas na televisão brasileira, de cidades como Nanjing, Qindao, Hangzhou, Shenzhen, além das conhecudas Pequim, Shanghai e muitas outras. Nas telas, os temas incluem inteligência artificial, pagamentos móveis, trem bala, carros elétricos e muito mais. Por aqui, a GQ Brasil conversa com ele sobre a experiência de gravar e de conhecer um país tão próximo, mas ao mesmo tempo tão distante do Brasil: “[No Brasil] somos muito bons de fazer planos, mas não temos sido bons em executar os planos que fazemos”.

GQ Brasil: O que mais te chamou atenção nesses dois meses na China?
Ronaldo Lemos: O que me chamou a atenção foi como um país muito pobre nos anos 70 conseguiu dar um salto gigantesco e hoje ter tecnologia e inovação em toda parte. Hoje dá para ir de trem bala a praticamente qualquer lugar no país, com velocidade de 350 km por hora. Em 10 anos construíram 29 mil quilômetros de linhas de trem de alta velocidade. Além disso, a China conseguiu tirar 750 milhões de pessoas da pobreza. E agora está conseguindo criar tecnologia e inovação de ponta. Isso é visível tanto nas cidades ricas quanto nas regiões mais pobres do país.

GQ Brasil: O que você acha que temos que aprender como os Chineses?
Ronaldo Lemos:
A capacidade de planejamento e execução dos chineses. No Brasil somos muito bons de fazer planos, mas não temos sido bons em executar os planos que fazemos.

GQ Brasil: Você estudou mandarim, acredita que esse idioma será importante para os negócios? Qual o seu maior desafio em aprender mandarim?
Ronaldo Lemos:
No mundo de hoje acho muito importante aprender mandarim. Não é preciso ficar fluente na língua. Mas só de ter algumas noções básicas isso já permite compreender um pouco da cultura chinesa. Como a cultura chinesa é muito diferente da brasileira, estudar mandarim permite ampliar a compreensão e a cooperação entre os dois países.

GQ Brasil: Você fez aulas de kung fu , como foram as aulas? O que mais aprendeu com  os chineses no sentido de estilo de vida?
Ronaldo Lemos:
Sim! Fui para a escola de kung fu mais famosa da China, que tem mais de 10 mil alunos e fica no interior, onde praticamente ninguém fala inglês. Foi uma experiência de vida e de humildade. O grau de disciplina e o esforço dos alunos é muito impressionante. E não tem luxo nenhum, ao contrário, é um lugar de esforço e dedicação.

GQ Brasil: Quantas e quais as cidades você conheceu nessa viagem? Tem uma preferida?
Ronaldo Lemos:
Conheci por volta de 15 cidades nessa viagem, de norte a sul do país e de leste a oeste. É difícil escolher uma preferida. Shanghai é impressionante pela modernidade e pelo planejamento urbano. Mas o interior do pais, como Luoyang, tem uma força cultural grande e conheci pessoas incríveis e muito gentis lá.

GQ Brasil: Essa é a terceira temporada do  Expresso Futuro, qual a diferença dessa temporada para as outras?
Ronaldo Lemos:
As duas primeiras temporadas foram feitas em Nova York e esta terceira temporada foi feita totalmente na China. Acredito que a maior parte do que vamos mostrar nunca foi mostrado na TV brasileira e talvez até mesmo na TV no ocidente. Além disso, a 3ª temporada está passando também como série no Fantástico, com 4 episódios, além de ser exibida semanalmente no Canal Futura com 8 episódios a partir de hoje (2). 


Ronaldo Lemos (Foto: Divulgação)

GQ Brasil:  A China sempre foi conhecida como mercado que produzia muito eletrônico pirata, agora passa a ser reconhecida como produtora de tecnologia, qual o segredo da China?
Ronaldo Lemos:
Sim, a China foi de uma economia agrícola para uma economia industrial. Por muito tempo copiaram muita coisa, mas depois começaram a inovar e a criar produtos próprios. É o que está acontecendo cada vez mais, com a China apostando em inteligência artificial, pagamentos digitais e também internet das coisas. Trilharam esse caminho com muito planejamento e trabalho.

GQ Brasil: Em 2018 começaram a coletar as impressões digitais e os rostos de todos que entram na China, além de todo reconhecimento dos chineses. A privacidade é uma questão bem criticada na China, você se sentiu vigiado? Como você enxerga essa questão da privacidade na China?
Ronaldo Lemos:
A privacidade é um tema no mundo todo. Os aeroportos brasileiros também coletam todos os rostos dos passageiros que viajam através deles. Nesse sentido, a proteção de dados é hoje um dos temas globais mais importantes. No Brasil, felizmente tivemos a aprovação da Lei Geral de Proteção de Dados, que entrará em vigor em 2020. Essa é uma ótima medida básica para tratar do tema, conferindo regras sobre a coleta e uso de dados.  

GQ Brasil: Quais são os  aplicativos que você baixou e seria uma dica para os brasileiros?
Ronaldo Lemos:
Conheci vários aplicativos impressionantes na China, que servem para tudo, de pagar uma conta a chamar um táxi. Muitos deles só funcionam direito lá, como o AliPay. Mas há outros que estão disponíveis no Brasil, como os aplicativos de vídeo Tik Tok e o Kuaishou, que já funcionam no Brasil e têm alguns milhões de usuários no país e estão crescendo no mundo todo.


Ronaldo Lemos (Foto: Divulgação)

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Fonte oficial: GQ

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