Samuel Ross mostrou que 2018 foi o seu ano na moda – GQ

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Samuel Ross é natural de Londres e cresceu em um bairro de operários – planejado no pós-guerra para abrigar a então crescente classe média britânica – o que mais tarde influenciou diretamente o seu trabalho. Na adolescência, Ross falsificava roupas da Nike, Adidas e vendia para seus amigos. Hoje, além de assinar algumas das colaborações mais cobiçadas do momento, o designer está entre os 500 nomes mais influentes da moda, de acordo com o Business of Fashion, e foi premiado em esse mês com o título de talento emergente pelo Conselho de Moda Britânico.

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Formado em design gráfico e ilustração pela Universidade de Montfort, Ross trabalhou no mercado convencional enquanto tocava paralelamente seus projetos de arte e moda. Em 2013, atuou como print designer na Hood By Air e deu vida a sua primeira marca, a 2wnt4, em uma parceria com Ace Harper. Pouco depois ele foi:

1. Descoberto e convidado por Virgil Abloh, que já mostrou para nós o quão bem manda nas picapes de DJ, para ser seu assistente de criação e consultor na Off-White

2. Integrou o time da DONDA, empresa de conteúdo criativo fundada por Kanye West, onde ficou por dois anos antes

3. Saiu da DONDA e se dedicou a sua própria marca, a A-COLD-WALL* (ACW*)

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 (Foto: Reprodução)

Com a memória afetiva do local onde cresceu, Samuel Ross nomeou sua marca a partir das grandes paredes de concreto que ajudaram, de certa forma, a isolar as vizinhanças da classe trabalhadora de Londres. Ross usa a A-COLD-WALL* como uma plataforma para comentar aspectos sociais, muitas vezes inconscientes, da vida urbana e da cultura de classes britânica através de uma estética vanguardista.

O designer utiliza as passarelas como um campo aberto para críticas, expostas através de manifestações artísticas contextualizadas pelo ambiente e pela sua própria coleção. Suas criações, muitas vezes utilitárias e de design industrial, carregam uma narrativa contínua que fizeram da ACW* a finalista dos prêmios LVMH, da Louis Vuittone ANDAM, da Associação Nacional para o Desenvolvimento das Artes da Moda, em 2018.

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A experimentação com formas e materiais permeia todos os trabalhos de Ross, partindo da ACW*, passando pela Polythene Optics – sublinha de sua marca principal – até a Concrete Objects, um projeto também inspirado pelo brutalismo que traz objetos do cotidiano executados de forma não convencional, fruto de uma parceria com o também designer Jobe Burns.

 (Foto: Reprodução)

Quando se trata de escolher um ponto de venda para seus produtos, Ross é criterioso e faz questão de um espaço que não se limite apenas a uma arara. Suas peças são cercadas por uma atmosfera que realça os aspectos de suas criações através de instalações. Trilhas sonoras e vídeos cuidadosamente selecionados pelo designer são utilizados  para proporcionar ao consumidor uma experiência física dentro do que Ross chama de “moodboard vivo”.

Vitrine da coleção de A COld Wall na Barney's, em Nova York (Foto: divulgação)

Entre 2016 e 2017, a A-COLD-WALL* gerou uma receita de 1.3 milhões de libras, sendo estocada por lojas como Barney’s, SSENSE e Antonioli, algumas das revendedoras de luxo mais relevantes do mercado atual. No primeiro semestre desse ano, a Tomorrow London Holdings, grupo de investidores focado no mercado de moda, adquiriu ações minoritárias da marca por um valor não divulgado.

Suas colaborações com Nike, Oakley, Dover Street Market e Suicoke reafirmaram que 2018 foi o ano de Samuel Ross e que ainda podemos esperar muito do jovem designer britânico. 

Fonte oficial: GQ

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