“Sem a Netflix não teria feito esse filme”, diz Alfonso Cuáron, vencedor do Festival de Veneza – GQ

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O filme Roma, do cineasta mexicano Alfonso Cuáron (vencedor do Oscar de melhor diretor por Gravidade), confirmou o favoritismo e ganhou neste sábado (8), o Leão de Ouro da 75ª edição do Festival de Veneza. O longa é uma produção da Netflix que assim conquistou seu primeiro prêmio em um festival de cinema. Com o prêmio, Cuáron sai na frente como forte candidato ao Oscar de 2019.

Roma é um filme muito particular, que remete à infância do cineasta. No México dos anos 1970, ele revisita sua própria história, mostrando uma empregada de origem indígena que trabalha numa casa de classe média, e vive seus dilemas de uma gravidez inesperada. A personagem é uma homenagem de Cuáron à  sua babá.

Com uma espetacular fotografia em preto e branco, o longa conquistou público e crítica e era o grande favorito deste sábado. Cuáron foi ovacionado tanto na cerimônia de premiação quanto na coletiva de imprensa. O cineasta reafirmou que só foi possível fazer o filme por causa da parceria com a Netflix, e enalteceu o Festival de Veneza. “Esse prêmio e esse Festival são incrivelmente importantes para mim”, disse, emocionado. “Sem a Netflix não teria feito esse filme”, completou.

O Grande Prêmio do Juri, segundo mais importante do Festival, ficou com The Favourite, do grego Yorgos Lanthimos, outro filme que foi muito bem recebido em Veneza e deve abocanhar indicações ao Oscar do ano que vem. O longa ainda deu a Olivia Colman, a Rainha Elisabeth atual da série The Crown, da Netflix, a Coppa Volpi de melhor atriz. Curiosamente, tanto Roma como The Favourite são protagonizados por mulheres, em um ano onde os personagens masculinos dominaram.

Ja o Leão de Prata de melhor diretor foi para o francês Jacques Audiard, que também estava entre os favoritos com o western The Sisters Brothers. Conhecido pelo filme Ferrugem e Osso (estrelado pelo ator belga Matthias Schoenaerts), Audiard também deve aparecer entre os indicados ao Oscar do próximo ano.

Em um ano de grandes personagens e interpretaçoes masculinas, a Coppa Volpi de melhor ator ficou com Willien Dafoe, que interpreta o pintor Vincent Van Gogh em At Eternity’s Gate, de Julien Schanabel (O Escafandro e A Borboleta). O Prêmio Especial do Juri, concedido a filmes que inovaram em sua narrativa, ficou com The Ninghtingale, de Jennifer Kent, única mulher na Mostra Competitiva deste ano, e que acabou emvolvida involuntariamente em uma polêmica, quando foi xingada após a exibição do filme para a imprensa.

Outro favorito, The Ballad of Buster Scruggs, dos irmãos Coen, venceu o  prêmio de melhor roteiro, enquanto Baykali Ganambarr ganhou o Prêmio Marcello Mastroiani, entregue a jovens atores.

O cineasta mexicano Guillermo Del Toro presidiu o juri do Festival de Veneza, e deixou como legado desta 75 ª edição: a Netflix sai fortalecida; o cinema latino continua em alta (foi o terceiro Leão de Ouro para um filme falado em espanhol nos últimos quatros anos); a dobradinha Veneza – Hollywood segue firme e forte com muitos filmes na mira do Oscar e as mulheres conseguiram dar a volta por cima, mesmo em um ano onde eram minoria na frente e atrás das câmeras.

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Fonte oficial: GQ

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