Será o fim da era certinha no tênis? – GQ

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Se você acompanhou o Australian Open deste ano – que terminou no último domingo (27) com a vitória de Novak Djokovic sobre Rafael Nadal – com certeza reparou no grande campeonato de Stefanos Tsitsipas, grego de 20 anos que chegou a uma semifinal de Grand Slam pela primeira vez.

Também deve ter reparado que Tsitsipas é o detentor atual do combo cabeleira esvoaçante + faixa de cabelo imortalizado por nomes como Andre Agassi e Gustavo Kuerten. E que, após toda uma geração centrada na elegância de Roger Federer (o cara que acompanha o termo “classe” em qualquer enciclopédia ilustrada) e no seu estilo mais discreto em quadra, isso pode significar alguma coisa maior.

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Nova geração do tênis (Foto: Getty Images)

Estaríamos presenciando o fim da era, digamos, certinha no tênis? Vejamos. Apesar de frequentemente associado a camisas polo comportadas, o esporte sempre teve seus bad boys. Mesmo assim, o estilo dentro de quadra se manteve próximo ao padrão. Vale lembrar do jovem Nadal, um touro indomável, e sua mudança de visual ao se tornar um contender de fato.

O que tem acontecido, de fato, é que o tênis tem parecido cada vez menos um esporte de brancos ricos com a chegada de toda uma geração de jogadores millennials de várias etnias. Com eles, um estilo mais despojado – e carregado no streetwear – começa a se mostrar em quadra.

Peguemos alguns exemplos. Na primeira rodada do recente Australian Open, o greco-malaio-australiano Nick Kyrgios ostentou um Nike Vapor inspirado no Kyrie 5 – modelo popular entre os basqueteiros e usado pelo próprio Kyrie Irving, armador do Boston Celtics que assina a linha, em um jogo duas semanas antes.

Nova geração do tênis (Foto: Getty Images)

No último US Open, em setembro, Serena Williams entrou em quadra com uma roupa de bailarina desenhada por ninguém menos que Virgil Abloh para a Nike. Em Wimbledon, uma coleção cápsula toda branca da Palace com a Adidas foi usada pelos jovens Alexander Zverev, de 21 anos, e Garbiñe Muguruza, de 25.

Isso mostra que, de olho nessa geração, mais aberta ao streetwear e a um estilo pouco country club, as marcas também começaram a se mexer. A própria Supreme, gigante do streetwear, já fez collabs voltadas para o tênis, primeiro com a Fila e depois com Nike e Lacoste – com direito a bolas de tênis ostentando o logo mais valioso da moda. No ano passado, a Wilson se uniu à japonesa BAPE para produzir raquetes com a característica camuflagem da marca.

Andre Agasi e seu estilo em 1988; o precursor  (Foto: Getty Images / Bob Martin)

Se o tênis atual não é mais rebelde do que o de outras épocas, ele pelo menos está mais aberto um tipo de moda que nunca entrou tão explicitamente em quadra. Esportivamente, a era Federer não acabou, mas a vitória do jovem Tstitsipas sobre o dono de 20 títulos de Grand Slam pode ser mais simbólica do que parece.

Nova geração do tênis (Foto: Getty Images)

Fonte oficial: GQ

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