Série brasileira ‘A Vida Secreta dos Casais’ estreia hoje – GQ

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A Vida Secreta dos Casais, nova produção original brasileira da HBO, estreia hoje. Criada por Bruna Lombardi e Kim Riccelli, com direção a de Carlos Alberto Riccelli, a série retrata o que está por trás das aparências, por meio de personagens cujas vidas são impactadas por acontecimentos que abalam os muros que escondem os seus segredos.

A Vida Secreta dos Casais envolve todas as camadas da sociedade, desde as relações pessoais mais íntimas até a perigosa conexão entre o poder político e o mundo corporativo. A série transita pelo universo das terapias alternativas, mostrando uma busca cada vez maior pela redenção; pelo ambiente das grandes corporações, onde a lei do mais forte se tornou a lei do mais cruel; e também pelo abrangente e dinâmico território cibernético, onde é possível encontrar vazamento de informações e opiniões bombásticas.

A personagem central da trama é a sexóloga e terapeuta Sofia Prado, interpretada por Bruna Lombardi. Com uma carreira bem-sucedida e diretora do Instituto Tantra, um centro de terapias alternativas para casais, ninguém desconfia que ela sofre de um transtorno emocional. Ao mesmo tempo em que ajuda os outros a lidarem com seus problemas, ela luta contra seus próprios demônios.

Kim Ricelli assina o roteiro junto com Bruna Lombardi, sua mãe, e a direção com Carlos Alberto Ricceli, seu pai. Na entrevista, ele conta como é trabalhar em família e a importância da série em um momento de conservadorismo crescente no país.

GQ: Como surgiu a ideia da série?
Kim Ricceli: A série reúne muitas coisas. Um dos núcleos da história se passa em um centro de terapia alternativa que não trata apenas de sexualidade e de relacionamento, mas também de uma busca mais interior de lado sensorial. Esse foi sempre um tema presente na minha vida e da minha mãe. Sempre praticamos ioga e meditação. Assim, quisemos trazer para o nosso trabalho esse universo.

GQ: A política do país já estava atribulada desse jeito?
Kim Ricceli: Ainda não estava com essa dimensão recente. Começamos a escrever a série há cerca de dois anos e foi um processo longo: muita informações e personagens. A Lava-Jato ainda não tinha toda essa repercussão na mídia. De certa forma, minha mãe teve quase uma premonição.

GQ: Você acredita em mediunidade?
Kim Ricceli: Não no sentindo sobrenatural. Eu acho que a vida nos dá sinais e você pode estar mais atento que os outros para captá-los. Warren Buffet, por exemplo, teve várias “premonições”, no sentido de ter uma visão refinada do que se passa no mundo das finanças. A Bruna Lombardi, minha mãe, tem um dom nesse sentido. Então, quando começamos a escrever a série e todo esse caos começou a acontecer no país, nós pensamos: “vão achar que a gente está copiando a realidade”.

GQ: No processo de escrita, você estava nos EUA ou no Brasil?
Kim Ricceli: Nos dois lugares.  Eu estava morando nos Estados Unidos, mas nos últimos dois meses tenho tentado ficar mais aqui. Com os meus pais é a mesma coisa. Houve momentos que era melhor ficar lá, já que quando estamos no Brasil o telefone não para de tocar e nos EUA a vida é um pouco mais tranquilo para um escritor. No momento da criação, você precisa de um espaço, um útero que te protege para você possa realmente criar.

GQ: Você mora em São Paulo. Como você tem sentido as transformações na cidade?
Kim Ricceli: Sinto uma aceleração grande. Dos últimos dois anos para cá, vejo um crescimento de propósito, muita gente trabalhando em projetos repletos de propósito. Há mitos projetos sociais, preocupação com as questões sociais e ambientais. As pessoas estão começando a pensar em como resolver os nossos problemas.

GQ: Como é trabalhar em família?
Kim Ricceli: Acho que nossa dinâmica de trabalho acabou mudando para melhor nossa dinâmica familiar. Para que um ambiente de trabalho funcione bem, é preciso ter disciplina e diálogo. A Bruna Lombardi é uma pessoa de muita iniciativa, então muitas ideias partem dela. Já eu gosto de botar a mão na massa. Gosta de mexer com muita coisa ao mesmo tempo. Já meu pai é um sujeito mais paciente e detalhista.

Carlos Alberto Ricceli e Kim Ricceli dirigindo cena da série (Foto: Renan Rêgo)

GQ: Você acha que a série pode ajudar a entender o que acontece hoje no país?
Kim Ricceli: Acho que ela ajuda a entender o que se passa no interior de cada um de nós. A ideia era explorar como as dinâmicas pessoais se manifestam não apenas no indivíduo, mas até nas ações do país. Se mudarmos o indivíduo, isso começa a ter efeito na sociedade. O que falta na política brasileira é a humanidade. Levar os valores como união, altruísmo.

GQ: Quando criança, você era filho de um casal sex symbol. Como você lidava com isso?
Kim Ricceli: Quando você cresce, não acha isso estranho porque é parte do seu dia a dia. Sou muito grato aos meus pais por serem honestos e íntegros com a nossa totalidade, o que inclui a sexualidade. Quanto menos repressão e falsidades, mas feliz somos.

GQ: Em tempos de conservadorismo crescente, a série é bastante liberal.
Kim Ricceli: Nós tratamos do amor em todas as possíveis configurações românticas. Um homem e uma mulher, dois homens e duas mulheres, uma tríade: tudo isso está representado na série e tenho orgulho de levar essa mensagem ao público. Eu acho que mesmo pessoas com preconceito podem assistir à série, porque tratamos tudo com muita sensibilidade. Temos uma cena com um casal trans que foi escrita baseada em na história real deles. Quisemos retratar tudo da maneira mais autêntica possível. Como não sei como é ser trans, é preciso ouvir a realidade de outras pessoas.

GQ: Que outro tipo de relacionamento a série aborda?
Kim Ricceli: O universo do poliamor, quando três pessoas ou mais têm um relacionamento. Daria para fazer uma série só sobre isso. Se uma relação a dois já é difícil, a complexidade desses relacionamentos é exponencialmente maior.

Fonte Oficial: http://gq.globo.com/Cultura/Cinema/noticia/2017/10/serie-brasileira-vida-secreta-dos-casais-estreia-hoje.html.

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