Seu Jorge abre o jogo sobre seu papel na série ‘Irmandade’ – GQ

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Arte imita a vida: Seu Jorge conta que conversou com Mano Brown, dos Racionais MCs, para compor seu personagem em Irmandade (Foto: Bob Wolfenson)

Do outro lado da linha, a indefectível voz grave anuncia: é Seu Jorge, o ator, cantor, compositor e multi-instrumentista. “Sou um artista brasileiro que, com meu trabalho, tento exercitar todo tipo de expressão”, começa ele, gigante que é. O trabalho da vez, produção nacional criada por Pedro Morelli, atende pelo nome de Irmandade, série que estreou em outubro na Netflix e tem Jorge no papel principal. Ambientada em 1994, conta a história de Edson, presidiário e líder de uma facção, e de sua irmã, interpretada pela atriz Naruna Costa, advogada coagida pela polícia a se infiltrar na Irmandade. A trama faz mais: critica o sistema carcerário, em uma mistura de suspense e drama importante e atual.

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“O que mais me chamou atenção no personagem é a relação dele com a irmã e com o mundo. Preso há 20 anos, sem visita, sem família, ele rompe com tudo, menos com o ensinamento do que é o certo. A missão do Edson é lutar pelo direito de justiça. E ele acredita que só a união de todos os presos vai trazer essa conquista. Porque muitos acham que todos que estão ali devem ser condenados à morte.” Seu Jorge é um contador de histórias e, normalmente, seus personagens são políticos. “Sou escolhido por eles, mas eu escolho também. E me sinto muito honrado de mostrar isso para o mundo.”

Em Irmandade, ele contou ainda com a ajuda do amigo e músico Mano Brown. “Nós conversamos por seis horas sobre aquele mundo e aquela linguagem.” A música que permeia a série tem muito do repertório dos Racionais MCs. Capítulo 4, Versículo 3, do álbum Sobrevivendo no Inferno, de 1997, é uma delas. Nos versos, “minha palavra vale um tiro… Eu tenho muita munição.” E tem mesmo. “Como negro brasileiro, nossas histórias são semelhantes. A de muitos é assim. A gente começa a trabalhar criança para se proteger da violência.” Jorge começou cedo, aos 13, em borracharia, em bar, fazendo cachecol e gorro de crochê para ajudar na renda. Sua história de luta e superação é conhecida. “O que me poetizou e me trouxe uma visão maior sobre cidadania foi a música e a arte”, pontua. Jorge também está em Abe, do diretor Fernando Grostein Andrade em que contracena com Noah Schnapp (da série-sensação Stranger Things); e dá vida ao personagem título Marighella, filme sobre o guerrilheiro assassinado pela ditadura militar, com direção de Wagner Moura, que ainda não estreou no Brasil. “Acho que estamos vivendo momentos diferentes, de um país com valores mais antigos, uma manifestação de um conservadorismo”, diz. Sobre o longa, acrescenta: “É um filme muito complexo que trata dos últimos quatro anos da vida dele”.

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Natural de Belford Roxo, no Rio, se formou entre a efervescência do samba, do soul, do funk e de tantos ritmos da cidade. Assim como seus personagens, lutou pela sua vida e história. Se salvou pela arte. Desde 2013, adotou Los Angeles, a meca do showbiz, como base. Ele mesmo é um showman, um artista de sucesso ciente de seu papel, seja na música, na tevê, no cinema ou até no crochê – hoje seu hobby. “É que passo muito tempo no avião”, encerra ele, durante sua passagem pelo Brasil para o lançamento da série. Irmandade é para maratonar e fazer pensar. GQ já viu e indica.

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Fonte oficial: GQ

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