“Sou uma pessoa que não julga mais as escolhas das outras”, diz Cynthia Senek – GQ

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Cynthia Senek: “Na vida real, temos milhares de Edilenes. São 1.369 mulheres que abortam todos os dias no Brasil” (Foto: Pupin + Deleu / Divulgação)

GQ Brasil: Viver uma personagem como a Edilene (em A Dona do Pedaço) que faz um aborto mexeu na sua vida pessoal? Hoje diria que é a favor da discussão sobre a legalização do aborto?
Cynthia Senek: Sou a favor de toda discussão sobre temas que ainda temos urgência para debater e entender. O aborto é uma delas. Aprendi muito sobre esse tema durante a minha pesquisa para a personagem e me deparei com histórias fortíssimas de descaso público. Na vida real, temos milhares de Edilenes. São 1.369 mulheres que abortam todos os dias no Brasil e cerca de 50% dessas precisam de atendimento médico após o aborto. Isso acontece independente do aborto ser legalizado ou não. Essa discussão não é sobre as nossas escolhas pessoais e religiosas, afinal, é uma escolha de cada mulher. A questão que devemos abrir sobre o aborto é o fato dele ainda ser tratado como uma realidade invisível nas agendas políticas. Aborto é um caso de saúde pública.

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GQ Brasil: Você comentou que depois desta personagem, aprendeu a praticar a sororidade. Como a usa no seu dia a dia?
Cynthia Senek: Acredito que a Edilene foi a personagem que mais exigiu de mim como mulher, ser humano e profissional.  Agora sou uma pessoa que não julga mais as escolhas das outras.  Aprendi a ter empatia também para outros assuntos tão delicados quanto o aborto. Então, todos os dias antes de julgar alguém, simplesmente me coloco no lugar daquela pessoa, tentando entender o porquê de suas escolhas e ações e, a partir daí, entender e respeitar que as outras pessoas são diferentes de mim.

Cynthia Senek fala sobre sororidade: “Todos os dias antes de julgar alguém, simplesmente me coloco no lugar daquela pessoa, tentando entender o porquê de suas escolhas e ações” (Foto: Pupin + Deleu / Divulgação)

GQ Brasil: Sobre 3% (série da Netflix), qual foi o maior desafio para você nas gravações?
Cynthia Senek: Foi difícil dar vida a Glória, pois a mantive bem distante de mim. Ela é uma personagem cheia de camadas, traumas e medos. As cenas difíceis que doíam para a personagem, doíam em mim também. O maior desafio com certeza foi não julgá-la. Pois ela é uma pessoa boa, e com ótimas intenções, mas é cega. Quer as mudanças em sua volta, no entanto, leva consigo todas as suas crenças e ideologias. As pessoas que carregam todas as suas certezas consigo não deixam espaço para as novas ideias entrarem. E é isso que acontece com a Glória.

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GQ Brasil: Você postou “Deixe um elogio para o seu corpo nos comentários”. Que elogio faria para o seu hoje?
Cynthia Senek: Diria para o meu corpo magrinho que ele é lindo exatamente no formato que deseja ser.  Diria para minhas sardas que tanto foram o terror da minha infância com o bullying, que hoje em dia elas são uma das partes preferidas do meu corpo e que tenho muito orgulho em tê-las. Também diria para minha pele que, recentemente, já notei mudanças em seu aspecto e que está tudo bem ela mudar. Aqui dentro também mudo todo dia. É bonito demais ver meu corpo mudando e acompanhando cada fase da nova Cynthia que eu me torno todos os dias com os meus aprendizados.

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Fonte oficial: GQ

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