Temporada parisiense marcou vitória das minorias – GQ

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Foi a imagem mais vista nas timelines durante a última temporada de desfiles masculinos em Paris. Fotografada do alto por um drone, a passarela dividida em setores coloridos da Louis Vuitton formou um impressionante arco-íris, em harmonia com as disputadas camisetas recebidas pelos convidados e com a paleta caleidoscópica da coleção, inspirada no universo do filme O Mágico de Oz.

A direção de arte não tinha nada de gratuita e carregava um tremendo significado. Era a estreia de Virgil Abloh na direção criativa da maior grife de luxo do planeta, feito inédito para um negro em 164 anos de história. Filho de pais ganeses, o americano – que também é DJ e designer de móveis, além de ser um influencer real para os seus 2,7 milhões de seguidores no Instagram – sabia que aquela seria uma oportunidade de ouro para transmitir ao mundo valores importantes.

Celebrar a diversidade era questão de honra. Consciente da atenção que o momento despertava, Abloh escolheu, além do Pantone LGBT do cenário, um casting multirracial e majoritariamente negro para mostrar a coleção de forte pegada street com a qual debutou na Vuitton. Junto do release, na primeira fila estava um mapa indicando a origem de cada modelo. “Você também pode conseguir” era o recado de um emocionado Virgil Abloh em seu Instagram após o desfile, que terminou com ele e o ex-parceiro Kanye West chorando abraçados na passarela. Acusada de racista e repetidamente criticada por excluir negros de desfiles e páginas de revista, a moda global precisava de um porta-voz desse tamanho para provar ao mundo que o jogo virou, que o planeta mudou e que o segmento não pode mais ser chamado de alienado.

A cultura street e o hip-hop, fundamentos negros, dominam o cenário fashion não é de hoje. O dinheiro mudou de mãos e as primeiras filas dos desfiles, sobretudo em Paris, são um forte indicativo desse movimento. Rappers, jogadores de basquete e celebs afrodescendentes agora são maioria e ocupam o front row ao lado das estrelas brancas. Nunca se viu tanta diversidade nos castings dos desfiles. Além dos negros, há asiáticos e latinos na mesma proporção dos caucasianos. O mais significativo é que o case Louis Vuitton não foi uma exceção no calendário. No mesmo dia da estreia de Virgil Abloh, Rick Owens, Dries Van Noten e a Loewe de J.W. Anderson adotaram, cada um à sua maneira, o arco-íris da tolerância e da diversidade.

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Owens, que escolheu, como de costume, uma cartela sóbria e minimalista para suas roupas, posicionou totens que espalhavam fumaça sinalizadora de diversas cores ao longo da tortuosa passarela armada no Palais de Tokyo. Dries Van Noten, que já havia enviado convites em acrílico colorido para o seu desfile inspirado na obra de Verner Panton, editou a apresentação de modo a formar um arco-íris em movimento na fila final. As alças de bolsas e os cintos da Loewe são listrados nas cores da bandeira LGBT. Coincidência ou não, a parada gay parisiense aconteceu no fim de semana seguinte a toda essa manifestação.

Fonte oficial: GQ

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