Transtorno da ansiedade de separação: o que é e como atinge os filhos de pais divorciados? – GQ

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A ansiedade é uma das patologias mais comuns entre pessoas de todas as idades, afetando desde crianças e jovens a adultos e idosos em todo o mundo. Porém, apenas uma pequena porcentagem de pessoas recebe tratamento, uma vez que os sintomas podem ser confundidos com outros distúrbios ou simplesmente ignorados por muito tempo.

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Dentre as muitas manifestações da ansiedade, uma delas se destaca: o transtorno da ansiedade de separação (TAS), que afeta crianças e adolescentes e pode provocar sequelas graves ao longo da vida.

Segundo Danielle Bevilaqua, psicóloga do Hospital Santa Mônica, “as funções dos pais dentro do desenvolvimento da criança se diferem e se complementam. Para um desenvolvimento saudável é interessante que tenham uma presença psicologicamente significativa, ou seja, tempo de qualidade dedicado a convivência com esta criança. O fato dela se sentir amada pelo seus pais irá influenciar de forma relevante a autoestima. Sentir-se abandonada, ou de pouca importância na vida de seus pais poderá dificultar a construção de uma personalidade bem estruturada e saudável”.

Agora, vamos esclarecer algumas possíveis dúvidas:

O que é o transtorno da ansiedade de separação?

A ansiedade de separação pode se manifestar pela primeira vez em bebês a partir dos 8 meses, e normalmente desaparece após os 2 anos. Porém, cerca de 1/3 dos casos pode persistir até a idade adulta quando não é feito o tratamento adequado. Considerando que mais de 75% dos transtornos mentais começa na infância, é importante buscar o diagnóstico e tratamento adequado o quanto antes.

É comum que crianças e adolescentes fiquem apreensivas ao se separar temporariamente de seus pais e cuidadores. A ansiedade de separação se torna um transtorno quando a reação à ausência é exagerada, afetando o desenvolvimento e a qualidade de vida.

Os pacientes relatam uma preocupação intensa em relação a seus pais: medo de que eles se percam, desapareçam ou os abandonem, que sofram acidentes ou venham a falecer.

A psicóloga complementa que “a criança pode desenvolver estes medos quando não se sente amada ou compreendida em suas necessidades. Nestes casos, costumamos aconselhar aos pais que tentem retroceder em suas memórias e perceber o que fazia sentido para si na infância ou adolescência. Não significa dar tudo que a criança ou adolescente quer, e sim se aproximar e entender seu mundo para manter um relacionamento mais íntimo, verdadeiro e, assim, mais saudável”.

Entre os fatores de risco para o desenvolvimento do transtorno da ansiedade de separação, podemos citar: antecedentes familiares, superproteção dos pais, apego exagerado e situações de mudança, como separação dos pais ou troca de escola.

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Como o transtorno se manifesta?

O transtorno da ansiedade de separação é movido por medo e preocupação excessiva com certas situações da rotina familiar. Os sinais de alerta para a manifestação do distúrbio podem ser:

Sintomas comportamentais:
chorar excessivamente;

• se recusar a ir à escola;
• se agarrar aos pais;
• apresentar comportamento violento;
• se queixar sobre a separação;
• chamar pelos pais.

Sintomas físicos:
dores de cabeça;
• vômito e náuseas;
• palpitações;
dificuldade para dormir;
• pesadelos recorrentes.

Quais são as consequências do transtorno da ansiedade de separação?

Estima-se que o transtorno atinge entre 4 e 5% das crianças e adolescentes no Brasil, e sem tratamento adequado o distúrbio pode evoluir e prejudicar o desenvolvimento emocional, social e psicológico do paciente.

O TAS na infância é também um fator de risco para outros transtornos que podem se manifestar ao longo da vida, como a síndrome do pânico e a agorafobia. Além disso, crianças e jovens que apresentam o problema podem limitar suas interações sociais e buscar, de forma inconsciente, o isolamento.

Em filhos de pais separados, é preciso ficar ainda mais atento aos sintomas e sinais de alerta do transtorno da ansiedade de separação. Nessa situação, os filhos experimentam com mais frequência e intensidade as sensações de ausência, abandono e perda.

Ainda que os pais se esforcem para se manter presentes na vida dos filhos, é natural que crianças e adolescentes demonstrem sofrimento ao se separar de um dos progenitores.
“Não se conta apenas a quantidade de tempo. Vale a pena ressaltar que a qualidade deste tempo influência essencialmente o bem-estar dos filhos. Educar uma criança ou adolescente com 2 visitas ao mês se torna uma tarefa quase impossível, mas estar sempre junto sem ouvir e considerar suas falas também pode não produzir bons resultados. Então concentre-se em como estar, de forma significativa, na vida de seu filho ou filha”, ressalta Danielle Bevilaqua.

O transtorno da ansiedade de separação pode e deve ser tratado em qualquer estágio do desenvolvimento. É fundamental procurar auxílio de um especialista e iniciar o quanto antes o tratamento adequado, para evitar maiores prejuízos ao paciente. Na maioria dos casos, o tratamento envolve também os pais, que devem aprender a lidar com as dificuldades do filho e ajudar em sua recuperação.

Fonte oficial: GQ

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