Tsunami da década, o sportswear dá sinais de cansaço – GQ

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Neste mês, publicamos na GQ Brasil a nossa tradicional lista dos homens mais elegantes do país. Durante o brainstorm aqui na redação para chegar aos nomes finais deste ano, me peguei pensando no conceito de elegância atual. Na relação havia muita gente cheia de estilo, mas não necessariamente elegante no sentido amplo da palavra. Sabemos que elegância vai muito além de acertar no styling ou escolher bem as peças que veste. Educação, gestos e valores entram na conta. O ideal é juntar tudo em uma mesma equação e, assim, chegar ao gentleman perfeito.

Para ser mais justo com o nosso tempo, talvez fosse melhor mudar o nome da lista para “25 homens com mais estilo”, equivalente ao “Most Stylish” dos gringos. A ver. Pensei também que, ao menos no quesito moda, está cada vez mais difícil cravar o que é ou não elegante. E, na modesta opinião deste que vos escreve, assim como na de outros importantes players da moda global, boa parte da culpa é do tsunami sportswear.

“Já tem gente demais fazendo roupa para ir ao Starbucks”, declarou Marc Jacobs ao final de seu último desfile, de verão 2019, em Nova York. Jacobs tentava justificar a sua opção pelas produções femininas um tanto exageradas, inspiradas em um glamour bem anos 1980. Raf Simons também parece cansado do athleisure e da invasão de peças casuais no repertório atual. O belga está disposto a achar uma maneira de fazer a alfaiataria e os tecidos mais nobres caírem no gosto de uma nova geração alucinada por moletons e sneakers. “Precisamos de algo novo no horizonte.

Eu sei, também tenho culpa no cartório, mas existem hoodies estampados demais por aí. Algo precisa mudar!”, desabafou em entrevista à jornalista Sarah Mower, do Vogue.com, no backstage do mais recente desfile de sua marca homônima, em Paris. Os belos casacos coloridos da coleção foram feitos com cetim duchesse e técnicas de alta-costura feminina, sofisticação rara em tempos de ugly sneakers e parcas oversized. Também em Paris, os belos costumes de abotoamento cruzado em cores pastel foram os destaques do début de Kim Jones na Dior Homme.

Riccardo Tisci dividiu em dois blocos a participação masculina no desfile de estreia à frente da Burberry. Primeiro vieram costumes, sapatos, trench coats e até as sumidas gravatas! Em seguida, na turma street, calças amplas, sneakers, camisas de mangas curtas e estampas. Foi sintomático, porém, os homens de elegância clássica terem entrado primeiro. É algo que não se via na passarela da grife há tempos.

Simples desejo ou talvez um indicador de mudanças, a capa mais recente da Vogue Hommes francesa anuncia “O Poder do Chic”, com o modelo Simon Nessman vestindo um elegante smoking creme, usado displicentemente, cool até dizer chega. Nas redes, a publicação crava: “Chic is back!”. Pode ser o prenúncio de um novo ciclo e um resgate daquela elegância de almanaque. Rendez-vous nos próximos meses para conferir.

Fonte oficial: GQ

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