Um brasileiro é o vencedor do prêmio máximo dos quadrinhos nos EUA – GQ

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Além de ter sido um dos melhores quadrinistas que já passaram por este universo, o americano Will Eisner, falecido em 2005, também deu seu nome ao prêmio máximo da categoria. E, na noite da última sexta-feira (20), um brasileiro virou o mais novo vencedor do Prêmio Eisner de 2018 – chamado por quem não é do ramo de “Oscar dos quadrinhos” devido a sua relevância, embora seja muito mais confiável do que as estatuetas do cinema.

O paulistano Marcelo D’salete foi eleito o vencedor da categoria melhor edição americana de material estrangeiro por sua obra Cumbe, lançada nos EUA (com o título de Run For It) neste ano pela Fantagraphics e no Brasil em 2014 pela Veneta. Os ganhadores do prêmio foram revelados durante a San Diego Comic Con, que acontece neste final de semana.

Cumbe conta quatro histórias da resistência dos escravos durante o período colonial brasileiro e explora as diversas ramificações da escravidão africana no tecido social do país. “É parte do momento singular do quadrinho nacional”, diz Marcelo em um texto publicado após a vitória. “Aborda conflitos, dramas, esperanças e sonhos de escravizados trazidos dos antigos reinos de Angola e Congo. As marcas de cada um desses africanos estão presentes em nossa história e cotidiano”, completa.

Cena de Cumbe, HQ de Marcelo D'Salete (Foto: Divulgação)

A história da obra foi originalmente pensada para fazer parte de um trabalho mais amplo sobre o Quilombo dos Palmares, mas se desmembrou e virou independente – o projeto original resultou na graphic novel Angola Janga – uma história de Palmares, lançada ano passado e altamente recomendável.

“Ainda lutamos pelo reconhecimento simbólico, cultural, econômico e político no Brasil (dos remanescentes quilombolas, dos territórios indígenas e do simples direito a vida de cada jovem de periferia). Os quadrinhos, a literatura, as artes são componentes essenciais para uma mudança estrutural”, diz Marcelo.

Fonte oficial: GQ

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