Um único assunto uniu esportistas e gamers esta semana: Hong Kong – GQ

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Manifestantes se reúnem nas ruas de Hong Kong durante protesto em agosto (Foto: Getty Images)

A NBA vem enfrentando uma crise esta semana – um embate, por sinal, bem distante das quadras. No domingo (6), Daryl Morey, dirigente do Houston Rockets, postou um tweet em apoio aos protestos em Hong Kong que causou furor entre investidores chineses da liga. Dede então a postagem foi apagada, Daryl deu um passo atrás e a direção do time foi enfática em distanciar a equipe das opinião expressada por seu dirigente. Em meio a um furacão diplomático, a liga se viu obrigada a cancelar alguns eventos na véspera de dois importantíssimos embates pré-temporada entre Los Angeles Lakers e Brooklyn Nets na China.

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No dia seguinte, crise similar estourou também no certame do eSport. Chung “Blitzchung” Ng Wai, nativo de Hong Kong, jogador profissional de Hearthstone e participante do Grandmasters, torneio mundial organizado pela americana Activision Blizzard, apareceu em uma entrevista repetindo frase de ordem usada pelos manifestantes e vestindo uma máscara associada aos protestos. O vídeo resultou no afastamento do cyberatleta por um ano do torneio, além da retenção de seu prêmio em dinheiro. Até mesmo os entrevistadores, parte da equipe do Grandmasters, sofreram um boicote oficial.


Daryl Morey, dirigente do Houston Rockets (Foto: Visual China Group via Getty Images)

A origem das manifestações

Os protestos, que já vêm tomando Hong Kong já há quase três meses, foram originalmente motivados por um projeto de lei que abriria portas para a extradição de suspeitos criminosos – e, temem os manifestantes, dissidentes políticos – para a China continental. Embora o documento já tenha saído oficialmente da pauta legislativa, as manifestações não têm data para acabar: manifestantes pedem também por uma reforma política e pela abertura de investigações sobre casos – ora falsos, ora certamente veridicos – de abuso de autoridade.

É uma manifestação política complexa, que também se relaciona com as pressões muito particulares de uma região democrática cuja autonomia tem data de validade: conforme a letra da lei, a zona autônoma volta a se integrar à China em 2047.


Cena da entrevista de Chung “Blitzchung” Ng Wai (Foto: Reprodução / Blizzard)

As consequências

As duas notícias e a reação energética tanto da NBA quanto da Blizzard sugerem: é preciso seguir o dinheiro. Demonstrações como as de Daryl e Ng Wai colocam em xeque uma boa fatia do capital por trás destas empresas. A China rende à NBA cerca de US$ 4 bilhões, aponta a CNN. Já a Activision Blizzard tem a gigante midiática Tencent entre suas investidoras, e, segundo o Wall Street Journal, busca apoio de players locais para o lançamento do game Call of Duty Mobile no país.

Os negócios de ambas, no entanto, explicam apenas parte da reação. A outra parte é mais simples: chineses jogam Hearthstone e assistem basquete. O próprio Houston Rockets de Daryl Morey foi por um tempo o time favorito no país – o time foi em parte responsável por catapultar Yao Ming, de Xangai, ao hall da fama do basquete. Ming, por sinal, estaria “extremamente decepcionado” com o comentário do dirigente, segundo nota da AFP. Um bom resumo da ópera vem de Gregory Stoller, professor de estra´tegia e inovação na Universidade de Boston e consultor na China há 15 anos. “A China é a nação mais patriótica do planeta, com os Estados Unidos logo atrás em segundo”, disse à CNN Sport. “Os chineses são realmente orgulhosos de sua cultura e tudo que eles defendem. Se você quer ter relações com este país, é preciso respeitar isto.”

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Fonte oficial: GQ

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