WeWork sobre crescimento no Brasil: “Temos uma grande responsabilidade” – GQ

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“Estava aqui treinando como se pronuncia Belo Horizonte“, diz Miguel Mckelvey, cofundador da empresa de coworking WeWork, enquanto nos recepciona pouco antes de um evento da comunidade na última terça-feira (28) em São Paulo. BH (ou “Bêlo Horizontche”, ao modo ainda bem gringo do bilionário americano) deve receber escritórios da empresa ainda em novembro, seguido de instalações em Brasília, Porto Alegre e Curitiba no ano que vem. Isso sem contar expansões em prédios onde a companhia já está presente em SP e RJ. Em suma: a WeWork, que deve crescer no Brasil 50% até o fim do ano e voltar a dobrar seu número de ocupantes em 2019, coleciona novos endereços mais rápido que a chefia consegue pronunciá-los.

“Quando começamos em um lugar, gostamos de crescer rápido”, conta Miguel à GQ Brasil. E por aqui a estratégia tem ido de vento em popa. No primeiro semestre deste ano a WeWork esteve entre as maiores locatárias de São Paulo e, no terceiro trimestre de 2017, teve papel significativo no recuo da taxa de vacância de escritórios classe A na cidade do Rio.

Miguel cresceu em Oregon com o fim do boom madeireiro na década de 70 e durante o período de recessão seguinte. No decorrer da conversa ele transparece interesse por empreendimentos de impacto social, e é nessa ótica que ele prefere abordar o avanço da WeWork: “Sinto que temos uma grande responsabilidade”, diz, “existimos para trazer energia positiva para a vida das pessoas e, se conseguimos fazer isso para alguém, nos sentiríamos mal em não trazer a mesma coisa para a próxima pessoa”. E o que eles oferecem tem se ampliado no ano passado, adicionando, por exemplo, um serviço a la carte para grandes empresas, projetos de moradia e educação, tudo mantendo ouvidos atentos para demandas de cada região. “Muito do que fazemos é oportunista, vemos como as coisas estão funcionando, alguns líderes regionais encabeçam projetos e procuramos membros que queiram esses serviços”, diz Miguel.

Essa experimentação é importante para um mercado como o Brasil, que representa um ambiente mais ‘corporativo’. Segundo o Valor, 50% dos clientes da WeWork no país são empresas – a média mundial, em comparação, é 25%. E atendê-las, segunda Miguel, é parte da missão: “A grande maioria dos profissionais ao redor do mundo são contratados por grandes companhias”, explica. Seria muita gente para deixar de fora, raciocina o cofundador.

 (Foto: Reprodução / Instagram @wework)

Além disso, essa junção entre empreendimentos de menos de 10 funcionários e grandes companhias é interessante para o modelo de negócio da WeWork: “Eles são entes complementares: startups querem se tornar grandes empresas e grandes empresas querem parecer um pouco mais com startups”, diz Miguel. “A pergunta é como elas podem aprender umas com as outras e como podemos facilitar seu crescimento”.

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Crescer rápido não é história rara no mundo dos negócios disruptivos. Nem gastar ‘pelos cotovelos’ – algo que também faz parte da trajetória da empresa novaiorquina. A WeWork perdeu US$ 723 milhões na primeira metade do ano sobre US$764 milhões em rendimento. O gasto foi maior do que o mesmo período do ano passado, quando a WeWork queimou US$154 milhões sobre US$362 milhões de rendimento, segundo o Recode. Em entrevista para o site, o CFO Artie Minson explica que o gasto é relacionado com a abertura de novos espaços, que funcionam em esquema de aluguel e tomam tempo até serem rentáveis. 

Tanto é que a empresa tende a usar uma outra métrica “ajustada pela comunidade”, que, a grosso modo, exclui os gastos do crescimento – assim como juros, impostos, depreciação e amortizações. O resultado, segundo a companhia, é um valor que representa a rentabilidade do negócio em si. E, no caso, a WeWork vem crescendo: de US$ 95 milhões no primeiro semestre de 2017 para US$ 202 milhões na primeira metade desse ano. 

Fonte oficial: GQ

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