WeWork tem IPO a caminho – e com drama de sobra – GQ

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(Foto: Getty Images)

Quando Miguel Mckelvey, cofundador da empresa de coworking WeWork, falou conosco sobre o crescimento agressivo de suas operações no Brasil – onde já tem espaços em SP, RJ e BH – ele decidiu por uma abordagem filosófica. “Existimos para trazer energia positiva para a vida das pessoas e, se conseguimos fazer isso para alguém, nos sentiríamos mal em não trazer a mesma coisa para a próxima pessoa”, disse. E mesmo o termo ‘coworking’ não é o favorito da equipe: a preferência é por ‘construção de comunidades’.

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Não é de se estranhar o tom floreado no registro de abertura de capital enviado pela We Company – dona da WeWork – à Comissão de Títulos e Câmbio dos EUA (SEC). No documento, por exemplo, a missão da empresa é descrita como em um épico: “Elevar a consciência mundial”. O termo ‘cowork’ não aparece uma vez sequer. ‘Tecnologia’, por outro lado, aparece mais de 100 vezes no documento, muito embora, fora um app que conecta locatários, a empresa seja centrada na construção, decoração e aluguéis de espaço, aponta o The Verge.

É, o IPO da We Company deve acontecer logo mais – em um ano cheio de empresas de peso chegando à bolsa de valores – incluindo Uber, Lyft e Pinterest. E parece que alguém em NY exagerou no kombucha. Mas nos meses que antecedem uma oferta pública, que é quando a empresa vai a campo buscar investidores interessados, às vezes linguagem faz a diferença.

A retórica é central para justicar o valuation de US$ 47 bilhões esperado pela companhia. Fosse apenas um negócio de espaços para trabalho, seu valor de mercado projetado poderia ser uma fração disto – o site Recode aponta que a IWC, empresa belga do setor, vale apenas 8% deste montante – mesmo sendo maior e atendendo mais clientes que a WeWork.

Adam Neumann, CEO da WeWork (Foto: VCG via Getty Images)

Ambientes de trabalho e serviços anexos ainda fazem boa parte da receita da empresa. Novos negócios, por outro lado, crescem pouco: apenas 6%, ou US$ 189 milhões na primeira metade de 2019. Compare o número com os gastos da empresa, que chegaram a US$ 900 milhões no mesmo período. Não é incomum no mundo dos unicórnios que o caixa de uma companhia sofra com dinheiro saindo aos borbotões, e a própria WeWork encara que a adição constante de novos espaços é uma estratégia que leva tempo para gerar receita. Mas é a fome por abraçar o mundo que cria mais uma incerteza: presente em 32 países, a We Company pode ser particularmente sensível a recessões ao redor do globo. 

O WeWork também não é alheio a polêmicas. O Wall Street Journal descobriu em janeiro esquema em que o CEO Adam Neumann comprava imóveis em Manhattan para depois revendê-los à WeWork. A prática rendeu milhões para o empresário.

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Fonte oficial: GQ

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