Will Welch: “Quando você tenta ser tudo para todo mundo, acaba sendo nada para ninguém” – GQ

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Em 2007, morando em uma quitinete no Brooklyn e sabendo quase nada sobre moda, Will Welch, naquela época colaborador de uma revista independente de música indie (The Fader), recebeu a ligação de Adam Rapoport, editor de estilo da GQ americana, convidando-o para uma entrevista para a vaga de editor na GQ Style.

Não demorou até ele perceber que moda na real é a tradução de tudo o que permeia a sociedade. Falar sobre moda é falar sobre comportamento, assunto que ele já tinha intimidade por ser especialista em música. Obviamente, foi contratado por Jim Nelson, até então Editor-Chefe da GQ. Mal sabia ele o que estava por vir…

Após 15 anos, mais precisamente em dezembro de 2018, Jim Nelson deixou o cargo de Editor-Chefe da GQ, abrindo lugar para Will Welch. Faz muito sentido. Os últimos anos foram difíceis para o mercado editorial, sendo 2018 o mais conturbado de todos. Foi-se a época em que ser editor de uma revista de estilo renomada significava ter seu próprio motorista e carro, verba para gastar em roupas e orçamentos astronômicos.

Num momento em que redações operam em times cada vez menores, ter um profissional híbrido, multitarefas, que sabe navegar no contexto complexo atual como líder de uma das maiores publicações de estilo do mundo é quase mandatório. Todo nosso respeito a Jim Nelson, o qual fez um trabalho excelente durante seu direção, mas espere uma nova era na GQ, completamente diferente do que você viu até agora.

“Essa nova empreitada definitivamente não é para todos. Mas, numa era comandada por nichos, se você tenta ser tudo para todos, acaba sendo nada para ninguém. Então, vamos diminuir o apelo da GQ às grandes massas e a transformar num lugar único para um mergulho rico, inteligente e inusitado no que há de melhor estilo no mundo. Os tempos mudaram, verdade, mas não é sobre isso que GQ sempre foi? Acho que sim”.

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Welch não está interessado em dizer como homens devem usar calças. Em vez disso, ele quer inserir a marca numa posição mais horizontal, como participante ativa de uma comunidade que se retroalimenta. E a GQ vai servir de plataforma para elevar histórias e projetos de pessoas que de fato estão moldando a cultura.
 

Capa de fevereiro 2018 da GQ americana (Foto: GQ)

A primeira edição sob sua direção, que estará nas bancas em Fevereiro, já traz um norte de como será essa nova era. Com Frank Ocean na capa, sabemos que está recheada de histórias nada convencionais, além do foco pesado em estilo.

Um salve à nova GQ americana e a Will Welch.

Fonte oficial: GQ

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